A Caixa Geral de Depósitos (CGD) não comunicou ao Governo o negócio com Manuel Fino envolvendo a compra de uma posição de 9,5% do capital da Cimpor.

O negócio é público desde dia 16 mas, à saída do debate quinzenal que decorreu na quarta-feira (dia 25), no Parlamento, o primeiro-ministro assegurou que apenas na terça-feira (dia 24) tinha tomado conhecimento do caso, pela comunicação social. Algo que a Caixa não consegue explicar, já que foram publicados na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) três comunicados sobre o negócio (um pela CGD, outro pela Cimpor, e outro ainda pela Investifino, do empresário Manuel Fino).

«Faz-me confusão duvidarem de nós»

No mesmo debate, o ministro das Finanças defendeu o negócio, afirmando que, se o mesmo não tivesse sido efectuado, o impacto na Caixa seria de uma imparidade de 80 milhões de euros. Embora afirmando que não tinha tomado qualquer conhecimento oficial do negócio pela CGD, José Sócrates afirmou que o ministro das Finanças tinha já solicitado à Caixa explicações sobre o caso.

O presidente da Caixa garante que não foi pelo banco que o ministro soube do valor, já que o banco apenas enviou ao accionista Estado um comunicado acerca do tema, esta quinta-feira, explicando os contornos da operação. Foi a resposta ao pedido de esclarecimentos feito pelo ministro.

Negócio foi «a melhor opção possível»

Sócrates soube pela comunicação social

O presidente da Caixa não soube explicar como é que o primeiro-ministro só conheceu o negócio na terça-feira e pela comunicação social, e recusou-se a esclarecer os contactos existentes com o accionista Estado nesta matéria. «As conversas entre o Conselho de Administração e o Governo não são para virem para a praça pública», disse.