A Caixa Geral de Depósitos (CGD) considera que o negócio efectuado com Manuel Fino, que envolve uma posição de 9,58% no capital da Cimpor, «se enquadra nas normais práticas bancárias».

Em causa está uma operação, segundo a qual o empresário vendeu ao banco público a posição na cimenteira no âmbito de empréstimos contraídos junto da instituição financeira, cujas garantias se tinham desvalorizado devido à queda do mercado bolsista.

Num comunicado em que explica a operação, a Caixa adianta que o Grupo Investifino contratou junto da CGD financiamentos que atingiram um valor elevado, destinados à compra de acções, com garantia também de acções. Entre as acções dadas em garantia estavam as da Cimpor, correspondentes a 9,58% do capital social.

«Com o decorrer do ano de 2008 e com a queda contínua e violenta das cotações nas Bolsas de Valores (...) as garantias associadas aos contratos de financiamento começaram a ser insuficientes para cobrir o respectivo valor da dívida existente», explica.

Executar garantias era opção «desproporcionada e desajustada»

Perante a situação, a CGD procurou uma solução que evitasse «uma imparidade, de montante significativo, com reflexos negativos directos nos resultados».

O banco não quis declarar o vencimento antecipado dos contratos e executar as respectivas garantias, uma solução que implicaria perdas e poderia «criar forte instabilidade na estrutura accionista da Cimpor».

«Porque até então se tratava apenas de um incumprimento em matéria de garantias, o Conselho de Administração entendeu que esta opção era desproporcionada e desajustada», diz.

A melhor opção para a Caixa

Assim, a CGD optou pela terceira via possível: a reestruturação da dívida do Grupo Investifino, «uma solução equilibrada», que evitava a perda de garantias, resultava num rendimento financeiro não inferior aos juros que constavam nos contratos de crédito e reduzia a imparidade do crédito existente, tendo, por esta via, um efeito positivo no património e nos resultados da CGD.

Assim se atingiu uma redução substancial da dívida, no valor equivalente ao obtido através da venda à CGD de 9,58% do capital social da Cimpor, ao preço de 4,75 euros por cada acção, ficando a CGD com os direitos de voto e os dividendos das acções da empresa (historicamente os dividendos da Cimpor têm gerado para os accionistas cerca de 5% a 6% ao ano).

O Grupo Investifino fica, recorde-se, com uma opção de compra durante 3 anos, pagando, no caso do seu exercício, «uma remuneração perfeitamente ajustada, para este tipo de operações».

Para a dívida remanescente, foi revista em alta a taxa de juro, «mantendo-se as garantias adequadas».

Compra das acções foi feita a bom preço

Quanto ao preço pago pela Caixa pelas acções (4,75 euros cada), diz o banco que o mesmo «tem plena justificação por se tratar de um bloco de acções relevante e com um prémio de controlo implícito (inferior ao habitualmente praticado)».

De acordo com as práticas de mercado, os prémios de controlo variam entre 25% e 35% sobre o preço médio em bolsa dos últimos 6 meses. No caso da Cimpor, essa média foi de 3,78 euros, pelo que a transacção foi efectuada com um prémio de 25%.

A CGD explica ainda que, tendo em conta as cotações médias da Cimpor nos últimos anos, «o preço acordado corresponde também à média das cotações do último ano e está abaixo, em cerca de 19% e de 13%, relativamente à média da cotação dos últimos 2 e 3 anos».

Por último, a Caixa recorre-se dos preços-alvos das acções indicados pelos diversos analistas dos principais bancos de investimento, dizendo que os mesmos se situam, em média, nos 5,55 euros por acção, ou seja 16,8% acima do preço de 4,75 euros por acção.