A EDP tem uma posição actual de liquidez de 5 mil milhões de euros , revelou o presidente executivo na apresentação dos resultados de 2008 aos jornalistas.

«Estamos totalmente tranquilos. Temos uma situação muitíssimo confortável», referiu António Mexia.

A eléctrica realizou uma emissão de obrigação no passado mês de Fevereiro de mil milhões, um empréstimo com o Banco Europeu de Investimento (BEI) de 200 milhões e anunciou esta quinta-feira a transmissão do direito a receber o défice tarifário (1,2 mil milhões).

A venda do défice foi «tratada com a CGD, BCP e BES». A EDP fechou ainda uma linha de credito revolving de 1,6 mil milhões.

Com estas condições, para Mexia, as disponibilidades «mudam radicalmente». Refira-se que a empresa tem um plano de investimento de 3 mil milhões de euros por ano até 2012, ou seja, 12 mil milhões em quatro anos.

Preparados para a conjuntura

Sobre os resultados, o responsável mostra-se também satisfeito. «São inequivocamente os melhores de sempre», afirmou, sublinhando que 50% dos mesmos resultam da presença da EDP fora de Portugal.

Mexia garante que «estão preparados para um ambiente macroeconómico diferente e que para isso foi necessária uma visão de longo prazo».

«Todos os objectivos foram ultrapassados», realçou.

Dividendo sobe para 14 centimos

Relativamente à distribuição de dividendos, esta vai ser feita como prevista. «Será de 14 cêntimos, o que significa mais 1,5 cêntimos. Temos todas as condições para continuar a aumentar o dividendo ao ritmo proposto (mais 12%)», disse.

Sobre a posição da EDP em empresas cotadas como a Soanecom e BCP, cujas perdas têm sido significados, Mexia mostrou-se decidido em mantê-las por agora. «Qualquer alteração terá que ter um enquadramento diferente. Quanto ao BCP, gostamos de respeitar parcerias e faz sentido que as decisões sejam tomadas em momentos oportunos. O que não é o caso».

Questionado sobre se a eléctrica poderia estar interessada em comprar os activos que a espanhola Gas Natural vai ter que vender para comprar a Unión Fenosa, o seu presidente executivo respondeu que, apesar de essa decisão não estar tomada, estar neste momento a adquirir novas centrais de ciclo combinado «não faz sentido» até porque a prioridade é o «crescimento orgânico».