O ex-ministro das Finanças, José da Silva Lopes, considera que, neste período de crise financeira, há que confiar no Governo, mas deixou uma crítica: «Há uma certa tendência para ajudar empresas que não têm viabilidade.»

Num almoço de homenagem promovido pela Associação Industrial Portuguesa (AIP), que decorreu esta quarta-feira em Lisboa, o economista adiantou que os portugueses exageram na capacidade do Governo actuar na actual conjuntura.

Crise não será resolvida até 2010

Silva Lopes defende congelamento de salários

«Os Governos nem sempre decidem bem», acrescentou.

Silva Lopes espera que o Banco Central Europeu (BCE) venha a descer as taxas de juro para 1,5 por cento e criticou a «falta de integração» da União Europeia.

Já sobre os créditos concedidos às empresas, o economista sublinhou que os mesmos têm de ser dados, mas «importa que eles não se transformem em dívidas».

«Se damos créditos a quem depois não paga, estamos a oferecer as mercadorias às empresas», disse no mesmo encontro.

Dívida do país a crescer 10% ao ano

Outro grande motivo de preocupação é a dificuldade que o país tem em financiar-se: «Portugal tem estado a endividar-se ao ritmo de 10% ao ano do Produto Interno Bruto (PIB)», referiu.

Além disso, sustentou Silva Lopes, cerca de metade do crédito concedido pelos bancos nacionais tem sido fornecido por bancos estrangeiros. «Isso agora já não é assim», disse.

O excesso de endividamento prejudica também o país caso o défice seja muito excessivo. «Não temos margem de manobra», avisou Silva Lopes, acrescentando estar extremamente preocupado com esta questão: «Emprestar dinheiro a Portugal já não é tão simples como era antes.»