O presidente norte-americano Barack Obama indicou quarta-feira que a sua administração vai aplicar com o Congresso um novo «código de conduta» para o sector financeiro a fim de impedir uma nova crise, diz a agência Lusa.

«Não podemos mais permitir que os mercados do século XXI sejam geridos por regulamentações que datam do século XX», disse Obama, após ter reunido com altos conselheiros e eminentes deputados na Casa Branca para iniciar o processo da nova regulação financeira.

«Para ter mercados financeiros sólidos, é necessário um código de conduta claro, não para obstruir as instituições financeiras, mas para proteger os consumidores e os investidores e, no fim de contas, fazer com que estas instituições financeiras permaneçam sólidas», referiu.

Equipa está a desenvolver recomendações

Obama indicou que a sua equipa está a desenvolver recomendações e vai trabalhar com os deputados de modo a que seja redigida uma legislação nas próximas semanas e nos próximos meses. Para este código de conduta, Obama enunciou alguns princípios fundamentais.

De acordo com Obama, as instituições financeiras que apresentem riscos sistémicos «graves» devem ser submetidas a uma vigilância séria por parte do governo porque quando o Banco federal tiver de intervir em último recurso como fez nos últimos meses, essa atitude revela-se «uma garantia para o contribuinte norte-americano».

Mercados devem ser «sólidos» para resistir às tensões

Segundo o presidente norte-americano, o sistema regulamentar e todos os mercados devem ser suficientemente sólidos para resistir às tensões que afectam todo o sistema e à falência de uma ou várias grandes instituições, o que reclama que a regulamentação seja modernizada e racionalizada e que seja controlada a extensão dos riscos que as instituições podem correr.

Para o chefe de Estado norte-americano é necessário «redobrar de esforços» para promover a transparência do sistema financeiro, sendo fundamental uma supervisão vigorosa e uniforme dos produtos financeiros.

As autoridades devem reclamar uma «estrita responsabilização, começando pelo alto» e pelos mais altos responsáveis no sistema financeiro.

«Os líderes que traem a confiança do público devem prestar contas», defendeu.

Ainda segundo Obama, o sistema regulamentar deve ser desprovido de falha e impedir a escolha do regulador conforme a sua conveniência.

Para além disso, os Estados Unidos devem conseguir que outros países procedam do mesmo modo porque estes problemas «não são não apenas norte-americanos, são mundiais».

Estas questões deverão ser abordadas na cimeira do G20 a 02 de Abril em Londres.

«Esta crise financeira não era inevitável»

Os Estados Unidos são apontados como os grandes responsáveis pela crise financeira que se transformou rapidamente em crise económica, devido às insuficiências da sua regulação e à sua cultura do risco.

Desde que assumiu funções, Obama mostrou-se muito mais vigoroso que o seu antecessor George W. Bush relativamente aos mercados e às instituições financeiras, ao mesmo tempo que apresentou um plano de emergência para o sistema financeiro, onde a crise se continua a agravar.

«Esta crise financeira não era inevitável. Ocorreu quando Wall Street supôs erradamente que os mercados continuariam a subir, fazendo negócios com produtos financeiros cujos riscos não estavam completamente avaliados», disse.

Obama também apontou o dedo aos reguladores que, «demasiado frequentemente», não se serviram da sua autoridade.

Contudo, Obama preveniu que «construir um novo quadro regulamentar não será fácil e que a reforma não vai acontecer de um dia para o outro».