O presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP) afirmou esta terça-feira que se mantêm os indícios de concertação do preço dos combustíveis no mercado português e que espera pouco do relatório final da Autoridade da Concorrência sobre esta matéria.

«O problema da concertação dos preços de venda dos combustíveis aos consumidores mantêm-se. Quando o preço do crude sobe os preços de venda dos combustíveis acompanham rapidamente a evolução do mercado, mas quando desce o mesmo não se verifica», disse Carlos Barbosa numa audição no Parlamento, em Lisboa.

O responsável do ACP, que participou numa audição na Comissão de Assuntos Económicos, Inovação e Desenvolvimento Regional na Assembleia da República a pedido do CDS-PP, considerou que o relatório final da AdC sobre o mercado dos combustíveis, que estará pronto no final de Março, «não trará nada de novo».

Galp trava concorrência

Questionado pelo deputado CDS-PP Hélder Amaral sobre se o ACP continua a pensar que existe cartelização dos preços dos combustíveis, Carlos Barbosa respondeu que «os preços no consumidor não reflectem a evolução dos custos do Brent».

«Os preços deveriam estar muito mais baixos, não estou contra a Galp, mas a empresa vai empurrando-os com a barriga para a frente. O problema que se põe é que a Galp manda no mercado e tem uma posição oligopolítica», acrescentou.

Petrolíferas: «Carro eléctrico ainda está um pouco longe»

Segundo Carlos Barbosa, nenhuma companhia petrolífera pode «entrar verdadeiramente» num mercado como o português.

«É constituído por poucas companhias (por exemplo a Repsol e BP). E uma vez que a Galp, outro das petrolíferas que operam no mercado, controla a infra-estrutura existente (da refinação, transporte até à distribuição) esta situação não é boa para a entrada de companhias e para a concorrência de preços», adiantou.