A Caixa Geral de Depósitos não aceitou pagar a indemnização pedida por um cliente cuja conta bancária foi usada por outrem, pelo que o caso vai ser julgado, a 21 de Maio, no Tribunal Cível de Braga.

Fonte judicial adiantou esta terça-feira à Lusa que a Caixa considerou demasiado avultado o pedido de indemnização feito pelo cliente, a quem foi retirado dinheiro pelo sistema de cadernetas do banco quando se encontrava no Brasil.

O advogado do queixoso, José Dantas, adiantou que o julgamento esteve agendado para Novembro, mas o juiz marcou nova data, a pedido dos advogados das partes, que procuravam um entendimento.

No processo, João Rodrigues pede à dependência de Lamaçães, Braga, uma indemnização de 52.055 euros pelo facto de a CGD ter passado um cartão Multibanco a um burlão que se apresentou ao balcão, com documento falso.

O queixoso, que se viu privado de fazer levantamentos da conta quando se encontrava no Brasil, considera que o banco é responsável por ter passado uma «caderneta» que dá acesso ao Multibanco, a Juliano Godol, um alegado burlão.

Este fez o pedido aos balcões da CGD, com recurso a um passaporte roubado do titular da conta, sem que os funcionários bancários olhassem para a fotografia e conferissem a assinatura, como alegadamente lhes competia.

Na queixa, João Rodrigues sublinha que bastava que o funcionário da CGD, que atendeu o alegado burlão, atentasse para a data de nascimento aposta no passaporte com a fotografia por ele utilizada, «para se verificar que não podia jamais coincidir».

Na contestação ao pedido de indemnização, a CGD considera despropositada a quantia pedida pelo queixoso, assinalando que o levantamento feito pelo alegado burlão foi, apenas, de 1.800 euros.

Explica que o bloqueamento da conta - que alegadamente complicou a vida ao seu dono no Brasil - foi feita para impedir que o alegado burlão continuasse a movimentá-la, já que os funcionários se aperceberam que a estava a utilizar fraudulentamente.

Reconhece a entrega da caderneta ao alegado burlão - a quem chama de "energúmeno" - mas diz que o acesso à conta foi feito para protecção do património do queixoso, que a ela pode aceder quando pretender.