(Notícia actualizada às 23h10)

O presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) garantiu esta quinta-feira que não vai vender as acções da Cimpor a um preço inferior aos 4,75 euros, ou seja, ao valor que o banco comprou, passando a deter 9,58% da cimenteira.

A garantia foi dada pelo responsável, ao início da noite na Assembleia da República, onde está a ser ouvido pelos deputados no caso Cimpor.

Segundo Faria de Oliveira, a Cimpor tem uma opção de compra por 3 anos e se essa for exercida «o grupo terá de pagar 4,75 euros por acção capitalizáveis a uma taxa anual boa para a CGD e ajustada a este tipo de operações», mas acrescenta que para isso, o grupo «já deve ter ressarcido a totalidade do seu crédito, pois só assim é possível realizar a operação».

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O presidente do banco estatal diz ainda que «não perdeu garantias, obteve o melhor rendimento financeiro, nunca vai vender a um preço inferior ao que foi comprado e que o acordo com Manuel Fino permitiu um ganho de 8 milhões por ano».

Aliás, no entender do mesmo, esta foi a melhor alternativa encontrada pela instituição financeira. Não fazer nada ou declarar o vencimento antecipado dos contratos foram apontadas, por Faria de Oliveira, como outras alternativas possíveis.

«Se a CGD executasse a penhora teria que vender as acções em bolsa rapidamente», acrescentando ainda que a melhor solução seria «encontrar uma solução negociada, tendo em conta um conjunto de princípios: não podia perder garantias, teria de reduzir a dívida do grupo, as perdas», referindo ainda que se tratou de «uma negociação difícil e muito demorado, que começou em Setembro».

Dividendos elevados

O pagamento de dividendos pagos pela Cimpor aos accionistas é considerado, por Faria de Oliveira, uma mais-valia para esta operação, uma vez que, o retorno ronda os 5 a 6% ano ano.

«A Cimpor sempre foi uma empresa altamente rentável e distribui dividendos elevados».

O presidente da instituição financeira disse ainda que «não houve irregularidades e este caso nunca passou a crédito vencido».

O responsável acrescentou também que de alguns anos para cá é prática os bancos procederem a financiamentos tendo como garantia as acções. «Esse financiamento é umas vezes para comprar acções, outras vezes destina-se a outro tipo de operações».

Faria de Oliveira recordou, logo no início da sessão, aos deputados que as instituições de crédito estavam sobre dever de segredo e que, para isso, pediu autorizou à Cimpor para explicar os contornos da operação.

Recorde-se que, o presidente da instituição financeira, durante a apresentação de resultados, já tinha garantido que esta operação «se enquadrava nas normais práticas bancárias».