A Associação de Defesa dos Clientes do Banco Privado Português (ADCBPP) acusou esta sexta-feira o Governo de os tratar como «portugueses de 2ª» e responsabilizou o executivo pelo "comportamento criminoso" daquele banco.

«A responsabilidade pelo que se passou e passa no sistema financeiro é dos governos e dos reguladores públicos», sustenta em comunicado, considerando, «no mínimo, uma vergonha o limpar das mãos do Governo» e que «o Estado português trate portugueses de forma desigual», avançou a Lusa.

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A associação destaca que «os direitos dos clientes do BPP e do Banco Português de Negócios (BPN) são, à luz da Constituição Portuguesa, iguais».

«É uma vergonha que o Estado português sancione os desvarios de umas administrações e, noutras situações, assobie para o lado», sustenta.

Três mil clientes

Alegando que «o Governo não pode ser a muleta duma estratégia que só serve o BPP», a ADCBPP acusa o executivo e a classe política em geral de preferirem «calar-se com medo de perder votos em ano eleitoral».

«Afinal são só 3.000 clientes» de um «banco demasiado pequeno para fazer estragos», afirmam.

Para esta associação, se o mesmo se passasse com 3.000 dos clientes da CGD, BCP, BES ou BPI «é evidente que o Estado garantiria, com receio de que o pânico se alastrasse a todos os depositantes desse qualquer banco, os respectivos investimentos».

A associação acusa ainda «as entidades oficiais» de continuarem a permitir «que se passe a imagem, infundada, de que os clientes do BPP são somente alguns ricos, gananciosos, especuladores», quando na verdade são «essencialmente pessoas que trabalharam, ganharam a sua vida honestamente e aforraram».

Para a ADCBPP, impõe-se ainda que o Governo explique «porque é que o aval que foi dado ao empréstimo de 450 milhões de euros que integra o misterioso e ainda desaparecido balanço de 24 de Novembro de 2008 não foi publicado pelo secretário de Estado».

«Não será relevante a publicidade desse documento para de forma transparente se perceber a forma como o dinheiro tem sido, desde então, utilizado?», questiona, interrogando-se ainda sobre «que tipo de produtos tinham as Caixas de Crédito Agrícola e outros credores internacionais no BPP».

«É essencial que o Estado, que através do Banco de Portugal nomeou administradores a quem compete a gestão corrente do banco, esclareça cabalmente como tem sido gerido o banco desde essa data», acrescenta.