A redução em 30 por cento do preço dos genéricos teve pouco impacto nas vendas, assegura a Associação Portuguesa dos Medicamentos Genéricos (Apogen).

Cinco meses depois, o Governo diz ser prematuro fazer balanços, mas reitera a necessidade de mais medidas para fazer crescer este mercado, avança a agência Lusa.

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Segundo dados da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), em Janeiro o número de embalagens de genéricos vendidas cresceu cerca de 5% em relação ao mesmo mês de 2008. Já o valor das vendas foi 22,3% inferior, o que é «natural, dada a baixa dos preços decretada» a partir de 1 de Outubro, como explicou fonte da tutela.

«A taxa de crescimento em embalagens atingiu cerca de 5% [em Janeiro]. Este último valor é também de destacar tendo em conta que, no mercado total de medicamentos, registou-se uma redução do crescimento em número de embalagens vendidas (menos 6,4%)", sublinhou a mesma fonte.

Quota era superior a vendas

O ministério da Saúde baixou o preço dos medicamentos genéricos em 30% em Outubro, argumentando que o preço praticado em Portugal configurava uma «situação única na Europa», em que a quota de mercado em valor era «claramente superior» à quantidade de medicamentos vendidos.

A medida «esteve em vigor apenas durante um trimestre, pelo que é ainda prematura a sua avaliação global», disse a mesma fonte, destacando que, no entanto, para o ministério da Saúde, além da redução de preços já adoptada, «são necessárias mais medidas para estimular o crescimento deste mercado».

«Medidas que acelerem a entrada no mercado destes medicamentos e que tornem a sua comparticipação automática», acrescentou a tutela, sem acrescentar mais detalhes, mas destacando que ao longo de 2008, o mercado dos genéricos não parou de crescer, com mais 16% de embalagens vendidas do que em 2007. Nesse ano, as embalagens vendidas tinham crescido 26,5%.

Cidadãos e Estado «poupam»

Mas para a Associação Portuguesa dos Medicamentos Genéricos, estes números revelam que a decisão de baixar o preço destes fármacos não teve o efeito esperado, porque o crescimento das unidades vendidas é praticamente o mesmo do que no ano passado.

Apesar de ainda serem necessários mais «dados concretos», o presidente da Apogen disse à Lusa que os «primeiros sinais» mostram que, em valor, o mercado está a reduzir «significativamente e, nesse sentido, o Estado e os utentes poupam».

«Mas em relação a criar um grande desenvolvimento do mercado de genéricos, infelizmente, não estamos a ver isso», acrescentou Paulo Lilaia.