Mais de cem clientes do BPP apelaramm, na passada segunda-feira, em Leça da Palmeira, Matosinhos, ao Governo para que assuma perante este banco o mesmo papel que teve com o BPN, escreve a Lusa.

«Queremos que o Estado tenha o mesmo papel que teve com o BPN», disse Paulo Jorge, da Associação de Defesa dos Clientes do BPP, no final de uma reunião de quatro horas na Exponor.

Banco não tem futuro sem solução de clientes

Paulo Jorge referiu que os participantes na reunião decidiram realizar várias acções de sensibilização da opinião pública, mostrando que o que aconteceu ao BPP poderia ter acontecido a qualquer outro banco.

O porta-voz da associação realçou que muitos dos participantes na reunião subscreveram no BPP «produtos garantidos», sem qualquer risco associado, pelo que não podem ser forçados a assumir perdas de 30 por cento ou mais.

Paulo Jorge afirmou que a administração do BPP ainda não apresentou aos clientes qualquer proposta de transferência dos seus créditos para um alegado «megafundo».

Rating da dívida cortado

«Esse megafundo é uma coisa que ninguém sabe muito bem o que é e para que serve», frisou.

Outro participante na reunião, Fernando Carneiro, acusou o Ministério das Finanças e o Banco de Portugal de «alheamento total» relativamente à situação do BPP.

«O Banco de Portugal, acho que não cumpriu a sua função, que era tutelar o BPP», disse, criticando as autoridades que permitiram que este banco funcionasse «completamente desregulado».

A reunião na Exponor foi inconclusiva também quanto a uma eventual fusão dos dois grupos de clientes do BPP.

Um dos participantes na reunião, Durval Padrão, referiu que a Associação de Defesa dos Clientes do BPP tem 150 associados, enquanto a associação Privado Clientes, liderada por Jaime Antunes, terá cerca de 20.

Durval Padrão abandonou mais cedo a reunião em Leça da Palmeira para se deslocar para a Batalha, onde a Privado Clientes tinha segunda-feira uma outra reunião.