O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou esta segunda-feira que os recentes despedimentos do fabricante aeronáutico Embraer foram «precipitados» e uma «grande anomalia», refere a agência Lusa.

«Chamei a direcção da Embraer e disse que eles foram precipitados, que poderiam ter negociado com os trabalhadores», disse Lula da Silva, no programa semanal de rádio Café com o Presidente.

«Já tínhamos outras experiências no Brasil em que a negociação é o melhor caminho. Obviamente que vamos trabalhar para ver se a Embraer consegue ter as encomendas, produzir os aviões e vender, porque essa é a certeza de que teremos os postos de trabalho ocupados pelos trabalhadores outra vez», salientou.

4 mil para a rua

A 19 de Fevereiro, o fabricante aeronáutico brasileiro anunciou o despedimento de 20 por cento dos 21.362 efectivos da empresa, resultado da crise económica internacional.

Os trabalhadores da portuguesa OGMA e da joint-venture Harbin-Embraer, na China, não serão afectados pelos despedimentos, refere um comunicado divulgado pela empresa.

Portugal não será afectado

Lula da Silva sublinhou estar «preocupado» com o aumento do desemprego no Brasil, resultado da crise económica internacional, mas garantiu que a inflação está sob controlo.

«Nós temos consciência de que inflação controlada significa mais poder aquisitivo para os trabalhadores e de que inflação alta significa prejuízo. Por isso, vamos cuidar para que a inflação fique definitivamente controlada e para que não seja um problema para o povo brasileiro», disse.

Tribunal suspende demissões

O presidente afirmou que os investimentos do Governo num plano de obras de infra-estrutura avançam «de maneira extraordinária» e que alguns sectores da economia brasileira já começam a dar sinais de recuperação, com a normalização do crédito bancário.

«Vou para a reunião do G20 no dia 02 de Abril com a perspectiva de que a gente possa encontrar uma solução para normalizar o sistema financeiro e controlá-lo melhor», afirmou.

A Embraer é, em consórcio com a EADS, o maior accionista da portuguesa OGMA, detendo ambos 65 por cento do capital daquela empresa portuguesa.

O Estado português detém os restantes 35 por cento da OGMA, através da «holding» Empordef.