Sócrates: «A mim ninguém me trata por chefe»

José Sócrates distancia-se das escutas e volta a negar qualquer envolvimento do negócio PT/TVI

Por: Redação / HB    |   22 de Fevereiro de 2010 às 22:34
José Sócrates voltou a recusar esta segunda-feira à noite ter tido qualquer conhecimento ou envolvimento na tentativa da compra da TVI por parte da PT. Numa entrevista a Miguel Sousa Tavares, na SIC, o primeiro-ministro distanciou-se ainda das escutas do processo Face Oculta - cuja divulgação criticou - e das referências que supostamente lhe são feitas. «A mim ninguém me trata por chefe», garantiu.

Na estreia do programa «Sinais de Fogo», do canal de Carnaxide, José Sócrates foi questionado sobre o apoio que recebeu de Luís Figo nas legislativas, recusando que tenham sido utilizados quaisquer dinheiros públicos para financiar a campanha eleitoral, por causa de um contrato assinado entre a Taguspark (que tem maioria de capitais públicos) e o ex-futebolista. «O apoio que o Figo deu ao PS e a mim próprio foi um apoio livre e generoso e independente de qualquer contrato, que eu aliás desconhecia que o Figo ou a Fundação Figo, tivessem feito», assegurou.



José Sócrates criticou ainda que se tirem ilações das escutas publicadas pelo semanário «Sol», em que o tema surge em conversa entre o ex-administrador executivo da PT Rui Pedro Soares e o assessor jurídico da empresa Paulo Penedos e este último se refere ao negócio como «pornográfico». «Espero que não me obrigue a comentar conversas entre pessoas que são privadas», disse, salientando que cabe à justiça investigar as conversas que são escutadas.

Depois o primeiro-ministro voltou a negar qualquer envolvimento na tentativa de compra da TVI por parte da PT. «Nunca fui informado, nem nunca dei orientações sobre esse negócio», assegurou. Sobre as supostas referências a si, José Sócrates apontou: «Se alguém invocou o meu nome, invocou incorrectamente». Quanto à expressão «chefe», que surge nas conversas entre Paulo Penedos e Rui Pedro Soares, o líder socialista garantiu: «As referências a chefe devem ser a outras pessoas, porque a mim ninguém me trata por chefe».

Na defesa de que não teve nada a ver com estas matérias, José Sócrates recordou que o procurador-geral da República afastou a possibilidade existir qualquer envolvimento seu na tentativa de comprar a TVI, na base das escutas que analisou. E mostrou-se disposto a responder perante uma comissão parlamentar de inquérito.

«Política disfarçada de jornalismo»

O primeiro-ministro recusou sofrer qualquer desgaste de imagem por causa das polémicas que se têm sucedido, argumentando que tanto no caso da licenciatura como no caso Freeport nunca se provou qualquer ilicitude da sua parte.

«Estou aqui, não a usurpar o lugar de ninguém, mas pelo voto dos portugueses», apontou, criticando os «dirigentes políticos» que usam estes casos para o atacar politicamente, «sem nenhuma prova».

O fim do Jornal de Sexta, na TVI, também esteve em cima da mesa, durante a entrevista. José Sócrates recusou responder se «ficou satisfeito» com o seu final. Negou ter tido qualquer envolvimento nessa decisão, mas censurou o bloco informativo dirigido por Manuela Moura Guedes: «O Jornal de Sexta, no meu ponto de vista, não era jornalismo. Era política disfarçada de jornalismo. O Jornal de Sexta só tinha um objectivo, que era destruir-me politicamente e impedir-me de ganhar eleições.»
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