Por: Redacção / SM | 20- 6- 2010 12: 25
O funeral de José Saramago realiza-se agora depois de uma cerimónia nos Paços do Concelho, em Lisboa, que contou com intervenções
emocionadas do presidente da autarquia, da ministra da Cultura, da vice-presidente do Governo Espanhol, do presidente da Fundação
Saramago e do líder do PCP, Jerónimo de Sousa.
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Às 10:30, as portas dos Paços do Concelho fecharam-se ao público, sendo apenas
permitida a presença das autoridades oficiais e outras individualidades, da família e jornalistas.
Um dos momentos
mais emotivos da cerimónia foi o aparecimento, na varanda dos Paços do Concelho, da viúva Pilar del Rio, bem como da filha
e da neta de Saramago. As milhares de pessoas, que assistiram à cerimónia no exterior, através de ecrãs, brindaram-nas com
um forte aplauso.
A urna, coberta pela bandeira nacional, que saiu dos Paços do Concelho pouco depois do meio-dia,
foi recebida com palmas das milhares de pessoas que, levando livros e flores, quiseram dizer o último adeus ao prémio Nobel
português. Além da salva de palmas, gritaram «Obrigado, Saramago».
O cortejo fúnebre saiu depois para o cemitério
do Alto de São João, onde o corpo de José Saramago será cremado.
«Cinzas de Saramago descansarão em Lisboa, mas a obra é património da humanidade»
«Não há
palavras, Saramago levou-as todas»
O primeiro-ministro, José Sócrates, também esteve presente, além de vários
membros do Executivo, cabendo à ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, uma intervenção na cerimónia fúnebre. A ministra
da cultura recordou o homem que «não tinha fé em Deus, mas Deus, se existir, certamente teve fé nele».
Gabriela
Canavilhas afirmou que Saramago «usou a escrita para uma reflexão sobre as grandes causas da humanidade», tendo lutado «contra
as injustiças» e defendido os direitos humanos.
A ministra salientou que Saramago «uma vez e tantas outras vezes»
usou as suas palavras no «respeito à terra e aos homens» e também na «denúncia contra a guerra do Iraque ou contra a ocupação
palestiniana» ou ainda em prol das «causas dos sem terra, do movimento anti-globalizante, da preservação do ambiente, ou do
anti-clericalismo desassombrado»
Sublinhou que Saramago foi «fiel ao seu compromisso com a consciência [...] edificando
uma obra coerente, ousada, sólida, moldada pela ética, visando, sempre, a dignificação do homem». A escrita, disse Canavilhas,
«foi instrumento, foi arma, foi agente provocador e plataforma de interrogação permanente do indivíduo e da sociedade».
«Não
há palavras, Saramago levou-as todas», disse ainda, a terminar.
Antes da ministra, falou Carlos Reis pela Fundação
Saramago que referiu que o escritor habitou «o espaço da heterodoxia» e referiu a sua «constante militância para desassossegar
imagens feitas».
Carlos Reis afirmou que esta é «uma despedida sem adeus».
O ensaísta afirmou, citando Eça de
Queirós, que «Saramago «está vivo e o seu espírito fulge descansado das humilhantes misérias da carne».
Ausente esteve
o Presidente da República, representado pelo Chefe da Casa Civil da Presidência.
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Em nome de «muitos milhares de camaradas» de partido,
o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, expressou um «sentimento de perda» pela morte do «camarada José Saramago», que
«pela sua vida perpassa o ideal de um protagonista de Abril»
«Deixou-nos de luto, a nós e ao povo português, em particular
ao povo trabalhador, de onde veio, a quem amou e foi fiel», disse.
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