Por: Filipe Caetano | 20- 7- 2010 16: 4
Foi fundado há pouco mais de um ano (a 12 de Maio de 2009) e inspirou-se no recente sucesso do Partido Pirata Sueco, que
elegeu um deputado
nas últimas Europeias. O Partido Pirata já chegou a Portugal a apresentou agora o seu manifesto, estando a recolher
assinaturas para a sua formalização.
Auto-caracteriza-se como «um partido que lute pela partilha cultural,
o livre acesso às artes, à informação, ao conhecimento em geral e a uma educação de qualidade e de abrangência não espartilhada.
Um partido que lute pela Privacidade Pessoal, conciliando o direito de reserva da vida privada à liberdade de expressão na
vida pública».
Vem aí imposto contra pirataria na Internet?
«O combate ao terrorismo, aos crimes de alguns
e aos interesses comerciais de outros não podem justificar a devassa arbitrária da vida privada de todos», defendem, considerando
que os e-mails ou as conversações em redes sociais são da esfera privada, tal como acontece com a correspondência: «Opomo-nos
ao abuso das novas tecnologias para a criação de bases de dados sobre os hábitos privados dos cidadãos contra a sua vontade».
«Hoje
a informação é veiculada essencialmente através da Internet, pelo que se deve garantir o direito a esta sem impedimentos nem
discriminações», frisam, deixando um desejo: «Defendemos o acesso à banda larga enquanto serviço universal e acessível a todos
os cidadãos, de forma a que seja possível usufruir dele sem se ser obrigado a pagar qualquer contra-partida. Defendemos a
introdução de redes municipais sem fios nas zonas geográficas do país onde as redes das operadoras privadas não conseguem
ou não querem chegar (devido a questões de rentabilidade económica)».
«Hoje o mundo reparte-se entre o real e o virtual,
e a liberdade tem de ser expandida à Internet, mantendo-a neutral», escrevem, considerando que «ninguém pode ser arbitrariamente
privado do acesso à Internet, de ter o seu acesso diminuído ou filtrado».
Partilha de cultura
«Defendemos
a compensação pelo uso/citação e remistura com fins lucrativos de obras culturais como uma fonte difusora de nova cultura.
Por isso, defendemos a exclusividade do direito à cópia com fins lucrativos de obras culturais aos seus autores durante um
prazo razoável», escreve o Partido Pirata, definindo prazos:
«Uma extensão de 70 anos após a morte dos autores não
é um prazo razoável e limita o direito de fruir as artes aos seus contemporâneos. Um prazo contado a partir da morte dos autores
é um absurdo cultural que discrimina o acesso às artes consoante as posses de cada um. Por isso, defendemos um prazo contado
a partir do dia de emissão da obra, e não da morte do autor, para a sua passagem ao domínio público. Com um período de exclusividade
do copyright ao autor durante uma primeira fase desse prazo e a compensação ao mesmo durante o restante».
«Os direitos
de cópia e uso não comercial de obras culturais criadas, encomendadas ou patrocinadas pelo Estado ou quaisquer entidades públicas
devem ser estendidos a todos os contribuintes», acrescentam, deixando várias ideias, que servem para responder aos seus maiores
críticos, como as discográficas ou os estúdios de cinema.
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