Por: Catarina Pereira | 9- 3- 2010 17: 8
José Eduardo Moniz não tem «a mínima dúvida» da influência do Governo sobre a Media Capital, detentora da TVI, e da existência
de um «plano» para controlar os meios de comunicação social.
«Houve claramente um plano para condicionar a actuação
de alguns meios de informação, alguns empresários e alguns jornalistas. Nunca fui permeável a pressões, mas há quem seja»,
afirmou, na Comissão de Ética.
«Não tenho a mínima dúvida da influência do Governo sobre a Media Capital e
da capacidade de intervenção sobre os seus administradores», acrescentou, sem, no entanto, dar exemplos concretos, a não ser
«rumores» do envolvimento de António Vitorino.
«Casal Moniz» tentou manipular informação
Sobre a tentativa de compra da TVI por parte
da PT, Moniz defendeu-se, alegando que o administrador da Prisa Miguel Gil o pressionou a tomar uma posição sobre o negócio
«no dia 24 ou 25 de Junho» e que, nessa posição, não defendeu este negócio em particular, mas qualquer negócio do género,
em qualquer parte do mundo.
«Para mim, se eu estivesse na PT, este era um negócio que não era mau, mas não era vital.
Para a PT era a garantia de ter um fornecedor de conteúdos. Mas a PT também quer os melhores conteúdos possíveis e não há
um só fornecedor capaz disso», precisou.
Para o vice-presidente da Ongoing Media, José Sócrates estava bem informado
sobre o negócio PT/TVI. «Toda a gente com o mínimo de bom senso percebe que estas coisas não se passam sem que o Governo saiba
e sem a mínima vontade deste para que o negócio se realizasse», afirmou.
«Se o primeiro-ministro sabia do negócio?
É óbvio que sabia», acrescentou, criticando as empresas que «são muito permeáveis aos governos».
José Eduardo
Moniz assegurou houve um encontro com Zeinal Bava a 23 de Junho de 2009, no qual o presidente da comissão executiva da PT
lhe disse «estarem em curso as conversas com a Prisa» e que «gostaria muito» que o ex-director-geral da TVI desse o seu contributo
não só à Media Capital, mas também à PT.
A resposta foi um não: «Lamento, mas não vai contar comigo. Porque suspeito
que este acordo confirmará o que se passa neste momento, um clima de tensão insuportável entre mim e a administração que conduzirá
inevitavelmente a alterações editoriais.»
Defendendo a sua entrada na Ongoing, Moniz sublinhou que, «enquanto os
actuais accionistas da TVI se mantiverem», não se envolveria «em nada» com a Media Capital.
«Não saí da TVI pela
porta para entrar pela janela», justificou.
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