Por: Catarina Pereira | 26- 2- 2010 13: 45
A candidatura de Fernando Nobre à Presidência da República está a criar algum mal-estar no seio do Bloco de Esquerda. Depois
dos bloquistas terem assumido o seu apoio a Manuel Alegre, o presidente da AMI veio baralhar as contas e tem mesmo servido
de «pretexto» a quem nunca quis apoiar o histórico socialista.
Na Mesa Nacional de 23 de Janeiro, apenas oito militantes
votaram contra o apoio a Alegre, mas a candidatura de Nobre veio aumentar o número de «indecisos», segundo fontes bloquistas.
Miguel
Portas, de quem o presidente da AMI foi mandatário nas eleições europeias, até fez um esclarecimento sobre o seu
apoio a Manuel Alegre no seu Facebook, onde o incómodo é visível: «De candidatos à esquerda estamos bem servidos. Talvez até
demais.» E ainda falta o PCP apresentar o seu, acrescentamos.
Num mês, Fernando Nobre mudou aquilo que parecia um
apoio sereno e maioritário ao candidato que até pode vir a ser apoiado também pelo PS, de quem o Bloco tem sido uma das oposições
mais ferozes.
Alegre em 2006: «Louçã está à procura de tostões e de uns votinhos...»
O debate tem
vindo a ser feito, mas pouco passa para fora. À fogueira foram também atiradas declarações de 2006, quando Francisco Louçã
e Manuel Alegre eram adversários nas presidenciais.
O líder bloquista disse, no dia 13 de Janeiro de 2006, que não
iria fazer campanha «em cemitérios ou beijando estátuas», como a de quem tem «saudades de si próprio», numa clara alusão a
Manuel Alegre.
Um dia depois, Alegre respondia-lhe: «Francisco Louçã está a fazer ataques pessoais pouco compatíveis
com a ética da esquerda. Ele ataca muito Cavaco Silva, mas às vezes parece um Cavaco Silva do avesso.» O candidato sugeriu
ainda que o bloquista deveria ser padre: «Parece que errou a vocação.»
Manuel Alegre passeava em Portalegre e, ao
ver uma montra com vinhos e ao ser questionado sobre qual dos seus adversários convidaria para beber um copo, afirmou: «O
Louçã hoje não me apetecia convidar. Acho que ele não gosta de vinho, está muito azedo. Hoje, não o convidava. Foi muito desagradável.»
O
socialista, que na altura não era apoiado por José Sócrates, acrescentou que Louçã estava «à procura de tostões e de uns votinhos
para disputar outras campanhas», afirmando-se «cansado da falta de rigor intelectual e das lições de moral que Francisco Louçã
pretende dar a toda a gente».
Palavras muito duras que têm vindo a ser recordadas dentro do Bloco, entre os que exigem
a reavaliação do apoio a Manuel Alegre, já que Fernando Nobre está na corrida.
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