Por: tvi24 / CP | 23- 8- 2010 14: 39
O socialista António Arnaut, fundador do Serviço Nacional de Saúde (SNS), acusou esta segunda-feira o líder do PSD de ser
«um instrumento ao serviço do lóbi dos interesses privados da saúde», diz a Lusa.
«Passos Coelho está a ser um
instrumento ao serviço do lóbi dos interesses privados da saúde», disse António Arnaut, um dos signatários de um manifesto
divulgado esta segunda-feira ¿ assinado também por Ana Jorge, actual ministra da Saúde - em defesa do SNS e contra «recentes
intenções de revisão constitucional» avançadas pelo PSD, que «propõe o abandono dos princípios da universalidade» e «abandono
da tendencial gratuitidade» do sistema.
«O líder do PSD é um instrumento dos interesses que estão por trás dele.
Há grandes interesses envolvidos no sector da Saúde, que representa um terço do Orçamento do Estado, mais de nove mil milhões
de euros por parte do Estado, é um sector apetecível para os negócios. Simplesmente a saúde não é um negócio», acusou.
Para
António Arnaut, o sector privado da saúde «tem um papel importante, mas complementar».
No seu anteprojecto de revisão
constitucional, o PSD propõe que «o direito à protecção da saúde» continue a ser assegurado «através de um serviço nacional
de saúde universal e geral». Mas onde se lia «tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente
gratuito», o PSD propõe o seguinte texto: «Não podendo, em caso algum, o acesso ser recusado por insuficiência de meios económicos.»
Para
António Arnaut, caso fosse aprovada, a proposta social-democrata significaria «um regresso ao Estado Novo». «O que Passos
Coelho quer é regressar a um modelo salazarento de que as pessoas são tratadas diferentemente na saúde conforme a sua situação
económica», sustentou.
«Se a proposta de revisão constitucional do PSD fosse aprovada, o SNS acabaria como serviço
geral, universal e gratuito (¿) Isso levaria que quem tivesse que pagar uma percentagem significativa para o SNS deixaria
de o fazer e faria um seguro de saúde para recorrer aos serviços privados. O objectivo não é fazer com que os ricos paguem,
é fazer com que os ricos e a classe média deixem de recorrer aos serviços públicos para engrossar a clientela do sector privado»,
disse.
Ao longo de três páginas, os autores do manifesto argumentam a favor da importância do SNS e consideram «inaceitáveis»
as propostas de alteração à Lei Fundamental avançadas pelo PSD.
«Estas propostas são inaceitáveis. Os abaixo-assinados,
oriundos de diversas tendências e famílias políticas, têm dedicado boa parte da sua vida a servir os portugueses no SNS, prestando
cuidados, organizando-os e aperfeiçoando o modelo. Defendem a continuação do SNS na sua matriz universal e o seu aperfeiçoamento
constante. O actual contexto político e social exige posições claras. No nosso entender, o Serviço Nacional de Saúde é um
Direito de Todos e um Dever do Estado Moderno e Democrático», escrevem.
Além de António Arnaut e Ana Jorge, assinam
o documento personalidades como o ex-ministro da Saúde Correia de Campos, o cirurgião Eduardo Barroso, ou nomes ligados à
área da Saúde como Adalberto Campos Fernandes, Albino Aroso, António Rendas, Mário Jorge, Carlos Arroz, Manuel Pizarro, Maria
do Céu Machado ou Francisco Ramos.
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