O deputado do PSD e presidente da JSD, Simão Ribeiro, afirmou que o ministro da Educação e o secretário de Estado da Juventude e Desporto demissionário têm de "vir a terreiro" explicar o sucedido.

"Cabe-nos a nós, em primeira linha, grupo parlamentar do PSD, exigir por parte do ministro e do ex-secretário de Estado que venham a terreiro, urgentemente, clarificar o que quis dizer com estas declarações e fazer perceber ao parlamento e ao país qual a estratégia que querem seguir para a área da juventude e do desporto em Portugal", disse Simão Ribeiro, junto às salas das comissões parlamentares da Assembleia da República.

Segundo o parlamentar social-democrata, trata-se de mais um "episódio" da "triste telenovela" protagonizada pelo Governo socialista e o requerimento já anunciado pelo CDS-PP para convocar Tiago Brandão Rodrigues e João Wengorovius Meneses para audições na 12.ª Comissão Parlamentar [Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto] gozarão de "acompanhamento convicto" do PSD.

"Não podemos deixar de assinalar com bastante preocupação aquilo que é a nomeação do novo secretário de Estado [João Paulo Rebelo] que, conforme dizem os próprios agentes no terreno, não augura nada de bom, tendo em conta a má memória que deixou aquando da gestão de entidades públicas, nomeadamente a Movijovem, no tempo do engenheiro José Sócrates [ex-primeiro-ministro socialista]", acrescentou.

Também o CDS-PP vai apresentar um requerimento no parlamento para ouvir o ministro da Educação e o secretário de Estado da Juventude e do Desporto na sequência da demissão deste último por "profundo desacordo" com Tiago Brandão Rodrigues.

O grupo parlamentar do CDS vai chamar à 12.ª Comissão [Parlamentar - Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto] o até agora secretário de Estado da Juventude e Desporto [João Wengorovius Meneses] e também o ministro da Educação", anunciou o vice-presidente da bancada democrata-cristã João Almeida, junto às salas das comissões, no parlamento.

Segundo o deputado centrista, "o ministro da Educação tem sido desde o início das suas funções um fator de instabilidade neste Governo, centrada na Educação, mas que ontem [terça-feira] alastrou à Juventude e Desporto".

Quando um secretário de Estado se demite porque diz que discorda da condução das duas políticas que tinha sob tutela e que, para além disso, discorda da forma de estar do seu ministro no exercício de funções públicas, é de uma gravidade que justifica essa presença", continuou.

João Almeida colocou duas hipóteses: "ou um dos dois não está a cumprir o programa de Governo - e temos de saber qual é - ou há uma falha total do Governo na concretização daquilo que era os seus objetivos".

Wengorovius Meneses revelou esta quarta-feira que saiu do Governo "em profundo desacordo" com o ministro da Educação em relação às políticas seguidas e "ao modo de estar" no exercício de cargos públicos.