O porta-voz do PSD declarou hoje à agência Lusa que o PS já recebeu da ministra das Finanças, há dois dias, todos os dados orçamentais disponíveis, e acusou os socialistas de fugirem às negociações.

Marco António Costa referiu que Maria Luís Albuquerque, ministra de Estado e das Finanças em exercício e deputada eleita nas listas da coligação PSD/CDS-PP, já fez chegar "há dois dias, quer por escrito, quer verbalmente, todos os elementos de que dispõe e que existem" ao coordenador do cenário macroeconómico do PS, Mário Centeno.

Numa reação à afirmação feita hoje pelo presidente do PS, Carlos César, de que há elementos orçamentais em falta, o porta-voz do PSD considerou: "Trata-se de mais uma desculpa para fugirem às suas responsabilidades, já que não consta que a falta de tais elementos que agora reclamam impeça as profundas negociações técnicas que alegam estar a realizar com o PCP e com o Bloco de Esquerda".

"Ora, se os elementos não serão necessários para essas negociações, estranha-se que sejam necessários para estas", reforçou.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente e coordenador da Comissão Política Nacional do PSD argumentou também que "hoje o Conselho das Finanças Públicas e a Unidade Técnica de Apoio Orçamental garantem um grau de transparência de informações relativamente às contas públicas que torna caricata esta afirmação do PS".
 

"Estranha-se que o PS invoque agora esta razão para, mais uma vez, fugir a uma negociação", acrescentou.


Hoje, o presidente do PS, Carlos César, afirmou que os socialistas exigem do PSD e do CDS-PP esclarecimentos sobre custos de medidas do seu programa, "riscos" orçamentais de operações no setor financeiro, incluindo sobre o Novo Banco, e pedidos de reembolso de IVA entrados até 30 de setembro.

Este conjunto de questões consta de um documento hoje divulgado pelos socialistas, que tem a data de sábado passado e que o PS diz ter sido enviado aos líderes da coligação PSD/CDS-PP, respetivamente, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, no âmbito das conversações para a formação do novo Governo.

Carlos César disse que os socialistas ainda não tinham recebido qualquer resposta às questões colocadas, e que incidem sobre matérias como a evolução macroeconómica do país, "riscos" orçamentais resultantes de entidades financeiras, situação dos processos de reembolso de IVA e medidas que expiram automaticamente a 31 de dezembro de 2015, casos da contribuição extraordinária de solidariedade, sobretaxa do IRS e redução salarial no setor público.