Jerónimo de Sousa terminou o dia tal como começou. A apontar o dedo ao rumo do dinheiro nos últimos anos em Portugal. O dinheiro que disse ter sido negado para serviços públicos e investir nas pequenas e médias empresas. E o dinheiro, segundo ele, entregue “ao grande capital”. Notas de censura iluminadas pelos números do défice de 2014 divulgados esta quarta-feira. 

“Tudo era justificado em nome do défice e em nome da dívida e aquelas estatísticas do INE, insuspeitas, vêm dizer que afinal o défice continuou ao nível de 2011 e a dívida aumentou exponencialmente”, disse Jerónimo de Sousa durante o comício que se realizou em Vila Franca de Xira. 


Depois, o líder comunista reforçou: “Em 2015, por cada dia que passa, nós ficamos a dever mais oito milhões de euros”. Uma dívida que para Jerónimo de Sousa tem de ser renegociada o quanto antes.

“Somos devedores é certo, mas os devedores também têm direitos. Porque mal de nós quando eles, os credores, quiserem renegociar a dívida. Quando o fizerem vão impor medidas draconianas com base naquilo que são os seus interesses”, disse.  


O líder comunista recordou que há quatro anos “a troika foi apresentada como grande ajudante”, mas que depois “trazia no bojo um autêntico programa de agressão”. Um pacto que “imediatamente encontrou um executante, o governo do PSD/CDS”, que “cumpriu com gosto essas orientações”.  

Jerónimo de Sousa acusou o governo atual de se ter servido da dívida e do défice como pretexto para pedir sacrifícios a todos "menos a um". E depois largou a questão: "Mas para onde foi o dinheiro? Foi direitinho, camaradas, para o grande capital". E deu como exemplo o caso do BES, mas também a política fiscal. 

"Podem cortar 900 milhões de euros às grandes empresas no IRC e não podem baixar o IVA da restauração", sublinhou.


Mas as críticas não se ficaram apenas pelos partidos no poder. "Este PS, de certeza, tem propostas diferentes das do PSD (…). Admito até algumas obras de melhoria, de fachada. Mas é isto que Portugal precisa? Não é isto que Portugal precisa", afirmou, censurando as posições socialistas em relação à renegociação da dívida, ao Tratado Orçamental, aos direitos dos trabalhadores e à Segurança Social.