A presidente da Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRe!), Maria do Rosário Gama, mostrou-se esta terça-feira preocupada com os programas eleitorais do PSD/CDS-PP e do PS, sublinhando que "as pensões são sagradas e não devem ser mexidas".

"O que nos preocupa mais, quer no programa da coligação (PSD/CDS-PP), quer no programa do PS, é que há medidas que têm a ver com a redução dos rendimentos da Segurança Social, com a redução da Taxa Social Única. Somos contra qualquer medida que interfira com a rentabilidade das contribuições das pensões, que são sagradas e não devem ser mexidas", sustentou.


Numa sessão de esclarecimento realizada hoje no Centro Cultural de Cascais, Maria do Rosário Gama lembrou que os objetivos da APRe! se prendem com uma política de integração social dos idosos, melhores condições de habitação e um regime de pensões mínimas que seja mais próximo do salário mínimo.

A presidente da APRe! prometeu "não baixar os braços" e apelou ao combate à abstenção no próximo dia 04 de outubro.

"Nesta campanha que andamos a fazer, ‘Uma Volta pelo Voto', temos pedido às pessoas para irem votar. O nosso objetivo com a sessão de hoje foi mobilizar as pessoas para ouvir os oradores convidados e mostrar que vale a pena fazer uma escolha, seja ela qual for", concluiu.


O economista Ricardo Paes Mamede e o sociólogo Pedro Adão e Silva foram alguns dos oradores da sessão e consideraram o aparecimento da APRe! como "das boas notícias que aconteceram no país nos últimos anos", no que respeita à cidadania e consciencialização.

Na sua intervenção, Ricardo Paes Mamede apontou o "mau desempenho económico" como um "fator de pressão sobre as pensões".

"As desigualdades não são só um problema social, são também um problema económico. O sistema de pensões é um mecanismo que hoje ajuda a diminuir os efeitos da desigualdade. O sistema público de pensões deve ser hoje visto como um mecanismo favorável à economia", acrescentou.


Já Pedro Adão e Silva falou da sustentabilidade na Segurança Social, com ideias desenvolvidas no seu livro, apresentado na segunda-feira, "Cuidar do Futuro".

Numa sala quase cheia, o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, assistiu também ao início da conferência e, em declarações à Lusa, destacou a importância de envolver a sociedade civil com a política.

"É importante aprofundar os temas e envolver os cidadãos na política, de uma forma que não seja só através dos partidos", sustentou.

O autarca, que é também vice-presidente do PSD, sublinhou ainda que "independentemente do diagnóstico que se faça" sobre a realidade económica e social do país, o importante é debater as soluções.

Carlos Carreiras sugeriu ainda que seja criada uma Comissão de Proteção de Maiores, à semelhança da que já existe para menores, no sentido de dar apoio aos idosos.