A coordenadora do BE diz que há pressões para que o processo das sanções a Portugal "se vá arrastando" numa tentativa de limitar as opções do Orçamento do Estado para 2017. Depois de dois meses de ameaça, a Comissão Europeia decidiu nesta última semana recomendar ao Ecofin penalizações a Portugal e Espanha por causa do incumprimento do défice.

"Não desconhecemos as pressões que existem para que este processo se vá arrastando e com isso haja uma tentativa de limitar as opções orçamentais em Portugal"

Catarina Martins defende que "ao contrário do que Maria Luís Albuquerque eventualmente pense, ao ministro alemão Schäuble pouco interessa quem está no Governo ou na maioria parlamentar em Portugal, desde que se mantenha cortes nos salários e nas pensões", afirmou, em conferência de imprensa após a primeira reunião da Mesa Nacional depois da X Convenção do BE.

Disse ainda que a maioria parlamentar de esquerda "não deve servir apenas para tornar o quadro político mais diverso, tem que corresponder a políticas concretas".

"Não aceitaremos fazer medidas de austeridade. Isso não significa que o Bloco fuja às suas responsabilidades de, mesmo nos cenários mais difíceis, negociar um Orçamento do Estado", sublinhou.

Questionado precisamente por Catarina Martins, no debate do Estado da Nação do dia 7 de julho, o primeiro-ministro António Costa garantiu que não se comprometeu nem se vai comprometer com Bruxelas com medidas adicionais ou qualquer plano B, mesmo que venham a ser aplicadas sanções. E este sábado voltou aproveitou a presença na cimeira da NATO para voltar a vincar que as sanções são injustas. 

O veredicto chegará na reunião dos ministros das Finanças de terça-feira.