O líder parlamentar do PS criticou «Os Verdes» por apresentarem uma moção de censura que «serve o Governo» PSD/CDS, com a deputada ecologista Heloísa Apolónia a sugerir depois que Carlos Zorrinho «gosta de levar na cabeça».

Esta troca de críticas entre Carlos Zorrinho e Heloísa Apolónia registou-se no início do debate da moção de censura de «Os Verdes» ao Governo na Assembleia da República, num momento em que o secretário-geral do PS, António José Seguro, não estava presente no hemiciclo.

O presidente do Grupo Parlamentar do PS defendeu que os socialistas têm conservado a sua «coerência» política ao longo dos últimos meses, já que estão contra a continuidade do executivo PSD/CDS. Mas, depois, deixou a pergunta aos «Verdes»: «A quem interessa esta moção de censura, num momento em que o Governo está esgotado, após ter falhado nas suas políticas?»

Zorrinho deu também a resposta: «Esta moção de censura serve o Governo, é um favor irrevogável a este Governo. Este Governo falhado, esgotado, vai tentar aproveitar a formalidade da votação para tentar justificar a sua continuação junto do Presidente da República».

Neste contexto, o líder da bancada do PS lançou um ataque ao PCP e «os Verdes», considerando que estes partidos são «uma vez mais a muleta da direita». «É sempre assim e os portugueses sabem isso. Sempre que o PCP e Os Verdes fazem do PS o seu adversário principal, quem ganha é a direita. A hipocrisia parece não ter limites», sustentou.

Na resposta, sem aludir diretamente ao facto de o PS se preparar para votar favoravelmente a moção de censura de «Os Verdes», Heloísa Apolónia afirmou-se «preocupada e baralhada» com o teor da intervenção do líder da bancada socialista: «Se sabe que a moção de censura se dirige ao Governo, porque se mete no meio? Parece que gosta de levar na cabeça».

Heloísa Apolónia optou também por devolver a Carlos Zorrinho a pergunta que este lhe tinha feito minutos antes: «Pergunto antes, de que lado está o PS?», questionou, numa alusão às negociações em curso entre PSD, PS e CDS para o acordo de médio prazo proposto pelo Presidente da República.

Além da parte destinada a criticar a iniciativa de "Os Verdes", a intervenção do presidente do Grupo Parlamentar do PS visou também o discurso inicial feito pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho: «O primeiro-ministro fez aqui um discurso de otimismo balofo, que não cola com a realidade, nem com a realidade vista pela própria maioria PSD/CDS».

«Há três meses o PS censurou este Governo e voltaria a fazê-lo hoje», salientou Carlos Zorrinho, defendendo «a coerência» da atuação política do seu partido.

Maioria com «confiança

O PSD, por sue lado, defendeu que a eventual rejeição da moção de censura ao Governo significa que o executivo fica «com confiança do Parlamento para prosseguir».

«Nunca falou tão bem neste Parlamento. A moção de censura tem um significado. Se for aprovada, o Governo é demitido, se não for, então tem a confiança do Parlamento para prosseguir», afirmou o líder parlamentar Luís Montenegro, dirigindo-se à deputada do PEV.

«Se for rejeitada, não é legítimo politicamente que os que a trouxeram e votaram a favor estejam no momento seguinte a negar o seu resultado», continuou Montenegro, criticando a ambivalência do PS, em negociações com os parceiros da coligação governamental por sugestão do Presidente da República, mas a favor da censura ao executivo.

Montenegro questionou mesmo «de que lado está o PS?», acrescentando que devem ser retiradas «as consequências políticas e constitucionais do debate e do seu resultado». «Trata-se da decisão soberana de cada um dos parlamentares que se sentam nestas bancadas como representantes legítimos do povo português», disse.