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Cimeira: direita elogia resultados, esquerda critica

PSD e CDS apontam mensagem de «confiança no futuro próximo» da Zona Euro. PS, PCP e CGTP dizem que «soluções estruturais» continuam por encontrar

Por: Redacção / AR  |  27- 10- 2011  13: 31

Conselho Europeu: Passos Coelho e Durão Barroso

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O PSD e o CDS-PP consideram que a «mensagem principal» que saiu da cimeira de chefes europeus de Estado e de Governo, que terminou esta quinta-feira de madrugada em Bruxelas, é a da «confiança no futuro próximo» e sublinham o «reconhecimento [pelos líderes europeus] dos progressos feitos em Portugal». Já o PS, PCP e CGTP estão pouco convencidos em relação aos resultados da reunião em que se chegou a acordo para reduzir em 50% a dívida grega aos bancos privados, ampliar o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) para um bilião de euros e recapitalizar a banca.

«Os passos que foram dados relativamente aos mecanismos que possam minimizar eventuais efeitos de contágio se a situação se deteriorar, relativamente à capitalização da banca, relativamente ao reconhecimento dos progressos feitos em Portugal são um sinal de esperança de que vamos conseguir ultrapassar esta situação», disse à Lusa o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro.

Na mesma linha, o líder parlamentar do CDS-PP considerou foi dado «um passo importante» com as decisões saídas da cimeira europeia, realçando que há o reconhecimento dos «esforços e sacrifícios» de Portugal. Mas Nuno Magalhães reconheceu à Lusa que persiste um «problema de fundo, que é a necessidade de a Europa não ser reactiva, mas sim ter uma resposta integrada global e concluir a reflexão do Governo económico europeu» que possa «evitar estas cimeiras e soluções avulsas».

«Soluções estruturais» continam «por encontrar»

Para o PS, «a cimeira foi positiva» e «foi um bom indicador do envolvimento do sector privado». Mas «a Europa continua a reagir tarde e - como se viu neste caso - a más horas. Portanto, as soluções estruturais continuam por ser encontradas, continuamos com a sensação que são soluções de conjuntura», disse à Lusa o secretário socialista para as Relações Internacionais. «Os problemas fundamentais de crescimento económico e criação de emprego permanecem sem resposta», comentou João Ribeiro.

Único objectivo é «salvar a banca»

Para o PCP, os resultados da cimeira são «a confirmação daquilo que tínhamos vindo a dizer». «Todas as preocupações, esforços e medidas [da zona euro] apontam para continuar a injectar o capital financeiro. Dinheiro dos povos, dos trabalhadores, dos contribuintes para continuar a salvar a banca dos seus desmandos. Esta é a linha central que está ali colocada», disse Jerónimo de Sousa, na sede do PCP em Lisboa, no final de uma reunião com a direcção da CGTP.

Resultados apresentados de «forma cínica»

Na mesma linha, o secretário-geral da CGTP referiu que «é preciso ler tudo o que foi dito [na cimeira]. Essa interpretação de elogio não passa de um incentivo ao Governo português para continuar a aplicar a austeridade, porque além de mencionarem o elogio, [os líderes europeus] acrescentam já que Portugal e o Governo se devem preparar para outros planos de austeridade se for necessário», disse Carvalho da Silva aos jornalistas no final da reunião com a direcção do PCP em Lisboa.

A declaração final da cimeira elogia o esforço de Portugal e da Irlanda no cumprimento dos programas de ajustamento ao abrigo da ajuda externa e «convida os dois países a manter os seus esforços, a manterem-se comprometidos com as metas acordadas e estarem dispostos a tomar quaisquer medidas adicionais necessárias para atingir essas metas».

Resultado «desgraçadamente curto»

A deputada do Bloco de Esquerda Ana Drago considerou «desgraçadamente curto» o alcance das conclusões da cimeira europeia face às «incertezas» vividas na zona euro e defendeu que mais austeridade levará a uma «situação explosiva».

«Foi tudo desgraçadamente curto para as incertezas que se estão a viver na zona euro. A conclusão da reestruturação da zona euro não está feita e não está concluído o reforço do fundo de estabilização», afirmou Ana Drago à Lusa.

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