Os problemas encontrados pelos portugueses no sistema educativo luxemburguês foram um dos assuntos esta quarta-feira abordados entre os primeiros-ministros do Luxemburgo, Xavier Bettel, e de Portugal, Pedro Passos Coelho, que concordaram na necessidade de uma melhor integração.

Numa conferência de imprensa conjunta após uma reunião de trabalho por ocasião da visita oficial de Passos Coelho ao Luxemburgo, Bettel, confrontado com o facto de cerca de um terço dos desempregados no Grão-Ducado serem portugueses, admitiu que tal mostra que o sistema educativo luxemburguês «tem um problema».

O primeiro-ministro luxemburguês apontou que, num país com uma forte comunidade de cidadãos de outros países – só portugueses são perto de 100 mil e representam quase 20% da população -, poucos são os não-luxemburgueses com sucesso escolar, num sistema baseado no alemão.

«Estamos a ver como podemos integrar melhor as línguas estrangeiras na formação dos jovens», disse.

Bettel sublinhou, tal como já o fizera por ocasião da sua visita a Lisboa em março passado, que os portugueses que pensam em emigrar para o Luxemburgo “devem pensar duas vezes”, pois o Grão-Ducado já não é a garantia de encontrar emprego e alojamento, como antes acontecia, havendo hoje desemprego e muitos jovens desempregados a viver em situações muito precárias.

Passos Coelho, começando por “desmistificar um bocadinho os números que às vezes aparecem associados ao fenómeno da imigração”, sustentando que o número de portugueses que entraram no Luxemburgo em 2013 não são muito diferentes daqueles de 2007 (ano anterior ao início da crise), admitiu que o “fluxo contínuo não terá muita facilidade em continuar nos próximos anos ao mesmo ritmo de anos anteriores".

“É útil poder dar indicações às pessoas dando conta de que não há uma elasticidade infinita no mercado de trabalho do Luxemburgo para absorver os emigrantes que procuram o Luxemburgo, e não são só portugueses”, referiu.

Relativamente à comunidade portuguesa, o primeiro-ministro considerou que há que “habilitá-la melhor”, e indicou que os governos luxemburguês e português "têm vindo a trocar experiências e a preparar programas para que sobretudo portugueses de segunda e terceira geração possam obter um nível de integração mais cedo na própria sociedade luxemburguesa através do sistema educativo, pois é ai que as verdadeiras oportunidades se conquistam para o futuro”.

As ações do governo do Luxemburgo, sustentou, “vão ao encontro dessa preocupação, dando a possibilidade às crianças portuguesas de terem contacto no sistema educativo com as línguas oficiais mais cedo, para poderem terem também um nível de integração mais fácil”.

Passos Coelho está acompanhado nesta visita ao Luxemburgo pelo ministro da Educação, Nuno Crato, tendo previsto assistir na quinta-feira de manhã a uma aula do curso integrado de português numa escola básica em Esch-sur-Alzette, antes de rumar a Bruxelas para participar num Conselho Europeu.