Catarina Martins e a sua lista viram, esta manhã, a sua moção política aprovada por maioria, na X convenção bloquista. A moção A - "Força da Esperança - O Bloco à Conquista da Maioria" recolheu 470 votos, que comparam com 67 da moção R - "Crescer pela Raiz - A radicalidade de reinventar a política", encabeçada por Catarina Príncipe, e 53 da moção B - "Mais Bloco" cujo primeiro subscritor é João Madeira.

A lista da moção A conseguiu 64 dos 80 mandatos disponíveis para a Mesa Nacional do partido, enquanto a moção R elegeu nove membros e a lista B sete. A lista de Catarina Martins consegue, assim, a coordenação da Comissão Política.

Segundo o texto da moção A, "a Comissão Política (CP) elege um Secretariado, responsável entre reuniões da CP pela condução política e organizativa, e é coordenada pelo/a dirigente que encabeça a lista mais votada à Mesa Nacional", de onde decorre que Catarina Martins deixará de funcionar como porta-voz e retomará o papel de coordenadora, agora numa liderança a solo.

No sábado, foi já conhecida a saída do antigo coordenador e deputado João Semedo da Mesa Nacional, que à agência Lusa assegurou que esta decisão não se prende com discordância, mas sim por considerar que "é tempo de ter outra forma de intervenção política e partidária".

Entre os nomes desta lista, destaque para o fundador do BE Luís Fazenda (o único dos quatro fundadores que se mantém nos órgãos do partido), os deputados Mariana Mortágua, José Manuel Pureza, Jorge Costa, José Soeiro, Moisés Ferreira, Pedros Soares, Luís Monteiro e João Vasconcelos.

Foi ainda eleita a Comissão de Direitos e, entre os 588 votos em listas, 447 foram na lista A, 72 na R e 69 na B. Assim, a lista afeta à liderança conseguiu cinco mandatos, sendo os restantes dois lugares divididos pelas duas outras moções.

Nas intervenções desta manhã ouviram-se discursos que vincavam as diferenças entre o BE e o PS. O deputado Jorge Costa - representando a moção A de Catarina Martins vincou que o partido não está numa "coligação" com o PS nem estabeleceu um acordo de Governo com os socialistas.

Não somos o CDS do PS", declarou Jorge Costa.

Por seu lado, o representante da moção R Carlos Carujo lançou críticas à direção bloquista, que, advogou, "não deu explicações" na Convenção sobre as negociações com o PS e Governo para o próximo Orçamento do Estado e eventuais alianças pré-eleitorais nas autárquicas de 2017.

 

Delegação do Syriza é vaiada por delegados bloquistas

O anúncio do representante do Syriza, partido no Governo grego, na sessão de encerramento da X Convenção do Bloco de Esquerda, foi hoje recebido com alguns assobios por parte dos delegados.

Depois de serem considerados “partidos irmãos” nos últimos anos, a relação entre os bloquistas e o partido grego Syriza parece ter tido melhores dias. Antes do partido encabeçado por Alexis Tsipras ser eleito para governar a Grécia, eram várias as aparições de representantes do Bloco de Esquerda em comícios do Syriza, bem como a representação mais significativa desse partido em convenções do partido de esquerda português - nos seus tempos de oposição na Grécia, o partido do atual Governo grego chegou mesmo a ser representado nas sessões do Bloco de Esquerda pelo próprio líder, Alexis Tsipras, sendo então considerado um partido exemplar na família europeia dos bloquistas.

Nos últimos meses, Alexis Tsipras, na qualidade de primeiro-ministro, já participou em várias reuniões com os chefes de Governo socialistas da União Europeia e recebeu em março o primeiro-ministro português, António Costa, em Atenas.

Hoje, um dos membros da Comissão Política do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, classificou como "um pesadelo" a experiência "euro-romântica" do Governo grego do Syriza.