O líder da banca parlamentar do PS, Eduardo Ferro Rodrigues, defendeu esta segunda-feira que o partido deve aguardar as propostas do novo Governo para decidir se há possibilidade de entendimentos e classificou a atual situação de inédita.

Aos jornalistas, o socialista disse que esta é “uma situação que a Assembleia da República nunca viveu”.

“Mesmo quando houve maioria relativa, no tempo do engenheiro Guterres, a situação era diferente, visto que era uma maioria do PS que era central e tinha à direita e à esquerda partidos de oposição”, afirmou.

“Hoje a situação é diferente, visto que todo o Governo está de um lado e toda a oposição está de outro. Vamos ver quais são as propostas” daqueles que “forem indigitados para formar governo”.

Ferro Rodrigues falava no final da cerimónia solene do 105.º aniversário da implantação da República, no salão nobre dos Paços do Concelho, em Lisboa.

 

PS com abertura para entendimentos à esquerda e à direita


O deputado do PS Vitalino Canas admitiu esta segunda-feira que o PS tem abertura para entendimentos à esquerda ou à direita, mas remeteu para a reunião de terça-feira uma posição mais clara do partido.

“O discurso do secretário-geral [do PS] é um discurso de grande responsabilidade que obviamente deve ser lido como sendo um discurso de abertura quer à esquerda quer à direita”, disse, referindo-se ao discurso de António Costa na noite eleitoral de domingo.

O secretário-geral do PS defendeu que compete à coligação PSD/CDS-PP formar Governo, salientou que ninguém conte com os socialistas para serem "maioria do contra", gerando ingovernabilidade, mas exigiu virar a página da austeridade.

"Não seremos maioria do contra",  declarou António Costa  após ter reconhecido a derrota do PS nas eleições legislativas, quando questionado sobre um cenário de entendimento entre todas as forças da futura oposição.

António Costa defendeu que compete à coligação PSD/CDS encontrar condições de governabilidade, mas deixou advertências, dizendo que "ninguém pode contar com o PS para viabilizar políticas contrárias ao PS".

Vitalino Canas falava no final da cerimónia solene do 105.º aniversário da implantação da República, no salão nobre dos Paços do Concelho, em Lisboa.

Afirmando não poder “ir mais longe do que já foi dito ontem [domingo] pelo secretário-geral do PS”, o deputado disse que “o posicionamento do PS será ainda mais claro” depois da reunião de terça-feira da comissão política do PS.

O socialista frisou ainda que a “responsabilidade principal recaiu” sob a coligação PSD/CDS-PP, que “não tem direita para negociar, só tem esquerda”.

Para Vitalino Canas, o PS “deve fazer apenas aquilo que o eleitorado socialista determinou que fizesse: continuidade na Europa”.

“Não ouvi do BE ou do PCP uma única palavra da linha europeia. Esse é uma parte essencial do programa do PS. Vale a pena estabelecer linhas de atuação, o PS estabeleceu as suas, outros partidos não o fizeram”, concluiu.

A coligação formada por PSD e CDS-PP venceu com 38,55% dos votos (o que representa 104 deputados), tendo perdido a maioria absoluta, e o PS foi o segundo partido mais votado, com 32,38% (85 deputados), estando ainda por atribuir quatro assentos na futura Assembleia da República, referentes aos círculos da emigração.