O PS considerou, esta quarta-feira, que a decisão da Comissão Europeia de colocar a execução orçamental de Portugal sob vigilância reforçada entra em colisão com a tese «fantasiosa» do Governo sobre a recuperação económica e social do país.

Esta posição foi transmitida aos jornalistas na Assembleia da República pelo vice-presidente da bancada do PS Vieira da Silva, noticia a Lusa.

«Na apreciação da Comissão Europeia é claro que Portugal continua numa situação crítica e difícil, ficando juntamente com quatro outros Estados-membros numa situação de vigilância reforçada. As afirmações fantasiosas que têm povoado o discurso do Governo sobre a situação portuguesa não são infelizmente verdadeiras», sustentou o ex-ministro socialista.

Vieira da Silva destacou depois a nota da Comissão Europeia sobre o elevado peso da dívida de Portugal, «uma realidade que não pode ser escamoteada e que constitui um dos problemas cruciais do país».

«Mas, desta vez, a Comissão Europeia acrescenta outros fatores de desequilíbrio que explicam essa vigilância reforçada. A Comissão Europeia identifica o baixo crescimento económico, os níveis baixos de inflação e o alto desemprego como fatores que explicam os desequilíbrios do país», apontou ainda o vice-presidente da bancada socialista.

A Comissão Europeia anunciou esta quarta-feira que, no quadro das análises feitas no contexto do semestre económico, decidiu colocar cinco Estados-membros, entre os quais Portugal, sob «monitorização específica», por desequilíbrios económicos excessivos.

«Concluímos que cinco países, França, Itália, Croácia, Bulgária e Portugal apresentam desequilíbrios excessivos que exigem ação política decidida e monitorização específica», anunciou o comissário dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici.

O comissário explicou que Portugal foi colocado no grupo de países com desequilíbrios excessivos sobretudo devido à sua elevada dívida.

«Em Portugal, apesar de progressos consideráveis durante a implementação do programa de assistência, permanecem riscos importantes ligados aos níveis elevados de dívida, tanto internamente como externamente, e alto desemprego, e por isso que concluímos que Portugal também deve ficar na categoria de desequilíbrios excessivos», justificou Moscovici.