O ex-primeiro-ministro José Sócrates vai estar ao lado do cabeça de lista socialista nas europeias na próxima sexta-feira, último dia de campanha, no tradicional almoço da Trindade, em Lisboa, disse hoje à agência Lusa fonte do PS.

Este almoço da Trindade, que antecede a descida do Chiado, é uma iniciativa que junta sempre as principais figuras nacionais do PS, incluindo ex-líderes.

Desde o período de pré-campanha que Francisco Assis tem referido a possibilidade de José Sócrates surgir no terreno a dar um sinal de apoio à candidatura socialista ao Parlamento Europeu.

Fonte da direção do PS, por sua vez, disse à agência Lusa que sempre esteve prevista a presença de José Sócrates numa das iniciativas da campanha para o Parlamento Europeu.

Sócrates na campanha é «sinal de unidade no PS»

Francisco Assis já afirmou hoje que presença do ex-primeiro-ministro é um sinal de unidade no seu partido.

Francisco Assis falava aos jornalistas a meio de uma arruada em Santarém, depois de confrontado com a notícia da Lusa de que José Sócrates participará no tradicional almoço da Trindade do PS.

«O engenheiro José Sócrates vai participar na campanha, como aliás eu sempre disse», declarou Assis, adiantando que, provavelmente, para além do almoço da Trindade, o ex-líder socialista também fará a seguir a descida do Chiado.

Nas suas declarações aos jornalistas, o «número um» do PS às europeias, Francisco Assis, rejeitou a tese de que a presença de José Sócrates no terreno poderá embaraçar os objetivos de campanha da direção dos socialistas.

«Essa é uma questão que não tem qualquer sentido. Esse é um problema que não existe no interior do PS. Sempre tenho vindo a dizer ao longo da campanha que o PS está unido», respondeu.

Depois, Francisco Assis referiu-se indiretamente ao «número um» da coligação PSD/CDS nas eleições europeias, Paulo Rangel, a propósito questão da presença ou não do ex-primeiro-ministro socialista na campanha.

«A composição da lista europeia do PS é bem a demonstração da unidade existente no partido, mas eu sei bem que os nossos adversários gostariam de ter um PS desunido e minado por disputas internas. O PS tem consciência da responsabilidade histórica que se lhe depara e, por isso, este não é o momento para estar a discutir questões internas que não existem», sustentou o cabeça de lista do PS.

Na edição de hoje do jornal «Público» o vice-presidente da bancada socialista Fernando Jesus e o nono da lista europeia do PS, Manuel dos Santos, admitiram a existência de algum incómodo na direção de Seguro face às consequências políticas da presença de José Sócrates na campanha europeia.

Na última semana, tanto Paulo Rangel, como o primeiro elemento da lista do CDS, Nuno Melo, têm considerado que o atual PS, sobretudo Assis, não se demarcam do «rosto do despesismo», José Sócrates.

«A presença de José Sócrates na campanha não lhes dá razão e eu tenho procurado contrariar esse discurso do despesismo. Paulo Rangel, no fundo, entende que todo o período democrático é um período de despesismo. Paulo Rangel está a entrar numa corrente política perigosa, muito extremista», criticou.

Fonte próxima do anterior primeiro-ministro disse à agência Lusa que José Sócrates estará ausente do país entre o próximo domingo e quinta-feira, razão pela qual a próxima sexta-feira, além da questão simbólica associada ao almoço da Trindade, era também o único dia disponível na agenda do ex-primeiro-ministro.