O líder do PS, António José Seguro, responsabilizou nesta sexta-feira o seu rival nas primárias pela descida do partido nas sondagens, lembrando que «até à crise criada por António Costa, o PS esteve sempre a subir».

«Nas sondagens que me dizem diretamente respeito, fico satisfeito em termos pessoais, mas não posso deixar de lamentar a descida do PS. Até esta crise que aconteceu no Partido Socialista por iniciativa do António Costa, o PS esteve sempre a subir nas sondagens e é muito fácil verificar de quem é a responsabilidade», declarou hoje à noite aos jornalistas, em Aveiro.

O jornal «Correio da Manhã» publicou uma sondagem onde o PSD e o CDS coligados têm mais votos do que o PS sozinho. Na sondagem CM/Aximage o PS obtém 31% das intenções de voto, o PSD chega aos 27,2% e o CDS aos 8,3%.

Seguro falava no final de um encontro de militantes que o apoiam na disputa pela liderança do partido nas primárias de 28 de setembro, que considerou inoportuna, porque o PS devia estar mobilizado em se afirmar como alternativa ao Governo PSD/CDS-PP.

«O PS não tinha de passar por esta situação e devíamos estar neste momento com todas as nossas energias concentradas no essencial, que é a oposição a este Governo e a afirmação da nossa alternativa», criticou.

Segundo António José Seguro, «os portugueses esperam do PS respostas para os seus problemas, de desemprego, de emigração, de pouco rendimento e de pobreza» e o partido tem propostas sobre as quais devia estar centrada a atenção da opinião pública.

«O PS tem propostas e temo-las apresentado, designadamente quando a 17 de maio apresentámos o nosso contrato de confiança, mas, infelizmente, não é disso que se fala, mas desta crise interna. Julgo que o partido Socialista não merecia passar por esta situação», vincou.

Seguro sobre o BES

Questionado pelos jornalistas sobre a situação no Banco espírito Santo (BES), António José Seguro respondeu que a sua preocupação é evitar «que existam mais surpresas como aconteceu com o BPN e com o BPP», tendo sido essa a razão que o levou a pedir esta semana uma reunião ao governador do Banco de Portugal.

«Segundo os esclarecimentos que me prestou, saí com muito menos preocupações do que quando entrei. É preciso garantir que essas situações não se repitam e o Banco de Portugal já veio dizer publicamente não haver razão para essas preocupações», declarou.

O líder do PS ressalvou que «uma coisa é o BES e outra é o Grupo Espírito Santo» e que, «por muitos que sejam os problemas que possam existir, não são os contribuintes que vão ser chamados a resolver, designadamente quando se trata de investimento do foro privado».

«O importante é que haja transparência em todo o processo e que tenhamos um sistema bancário sólido e robusto e não haja contaminações de qualquer espécie. Tem de haver também uma clareza e separação entre o que é a vida política e a atividade dos negócios», concluiu.

Costa marca convenção nacional

O candidato nas eleições primárias no PS António Costa anunciou nesta sexta-feira a realização de uma convenção nacional a 26 de julho em Aveiro para «mobilizar Portugal», por forma a «discutir» políticas, «identificar» medidas e «hierarquizar prioridades».

Hoje à noite em Guimarães, num plenário com cerca de 200 militantes socialistas, o opositor de António José Seguro, nas primárias socialistas de 28 de setembro apontou o dedo ao atual secretário-geral do PS, afirmando que quem se conforma com uma «vitória pequenina» é porque «já se conformou» em «não querer fazer a diferença» necessária na condução de Portugal.

Na opinião de António Costa, o PS tem que ter «a ambição» de «ter uma política diferente e fazer a diferença» em relação à atual maioria.