O secretário-geral do PS, António José Seguro, instou nesta quarta-feira Pedro Passos Coelho a «falar verdade» aos portugueses e revelar os cortes que pretende fazer e as decisões acordadas no Conselho de Ministros realizado na segunda-feira.

«Era importante que o primeiro-ministro viesse publicamente falar verdade aos portugueses e viesse dizer com clareza que cortes vai fazer e quais dos cortes que disse que eram provisórios vão afinal passar a definitivos», disse Seguro aos jornalistas, à margem de uma visita à associação CAIS.



Seguro diz não conhecer «nenhuma proposta do Governo» sobre o Documento de Estratégia Orçamental (DEO) e lamenta que os portugueses «vivam novamente numa incerteza».



«Não se pode brincar com a vida dos portugueses, designadamente com os reformados, trabalhadores que vivem numa incerteza permanente. É muito importante que o primeiro-ministro venha publicamente dizer com clareza o que está a preparar e o que decidiu no CM de segunda-feira», insiste o secretário-geral do PS.



Governo fora de «consenso»

António José Seguro acusou ainda o Governo de estar fora do «consenso» existente na sociedade portuguesa em torno do crescimento económico e de uma gestão parcial da dívida soberana por parte da Europa.

«Crescimento económico e uma gestão europeia da dívida, em termos parciais, são matérias de consenso na sociedade portuguesa. Quem é que está fora desse consenso? O Governo. Lamentável», considerou Seguro.

Questionado sobre a sua posição em torno da dívida portuguesa, e após o eurodeputado do CDS-PP ter questionado a mesma, o socialista diz que fala sobre a mutualização e renegociação da dívida «há muito tempo».

«Falo sobre a mutualização e renegociação da dívida há muito tempo. Há mesmo muito tempo, desde 2011, 2012, que tenho falado nessa necessidade. E não vi nenhum problema. E falo também com os nossos credores. E falo com outros líderes europeus. O problema está na falta de vontade política», apontou.

O socialista diz ainda que a Europa «já carregou demasiado sobre os portugueses», e reiterou a necessidade da mutualização parcial da dívida.

«Qual o problema da UE fazer uma mutualização parcial dessa dívida ? Não é a UE que está interessada, e bem, no equilíbrio das contas públicas ? Então que faça o equilíbrio das contas públicas, já agora, diminuindo os lucros que os mercados financeiros têm. Porque já carregou demasiado sobre os portugueses», declarou Seguro.

O secretário-geral do PS diz que Portugal quer «honrar» a dívida mas deve fazê-lo com «vontade política» assente numa «estratégia credível».

«[Queremos] Mais tempo para o ajustamento e renegociar as nossas condições: taxas de juro mais baixas, período de carências, maturidades mais alargadas. Nós queremos honrar a nossa dívida. Nós devemos pagar até ao último cêntimo mas devemos fazê-lo através de uma estratégia credível», advogou.