O líder do PS afirmou este sábado que o primeiro-ministro tem nos dois dias do congresso do PSD a «oportunidade» de dizer com «clareza» quais são os cortes definitivos e para «parar de enganar» os portugueses.

Em Guimarães, no encerramento da conferência, «Um Novo Rumo Para Portugal», António José Seguro acusou o atual Governo de ser o «mais liberal» da História da democracia portuguesa e de ter um «problema» com a verdade.

Seguro disse ainda não ser «admissível» que o Governo diga que o país «está melhor» quando as pessoas «vivem mal e passam sacrifícios» mas «não tinha que ser assim», apenas o é por «opção ideológica» do primeiro-ministro.

«O primeiro-ministro tem a oportunidade de, no congresso do PSD, explicar aos portugueses porque é que o país está tão bem e ele precisa de aplicar mais cortes. Tem dois dias para dizer com clareza quais são os cortes que ele considera que são definitivos para que nós tenhamos um debate na sociedade portuguesa e ele parar de enganar os portugueses», disse.

Segundo o secretário-geral do PS, «o primeiro-ministro ao mesmo tempo que fala em milagre económico vem dizer que são precisos mais cortes. E quando não o diz, diz a troica porque o primeiro-ministro insiste em enganar».

Por isso, acusou, «este Governo tem um problema com a verdade e quer esconder dos portugueses mais um brutal corte para os iludir e apanhar o voto nas eleições europeias», marcadas para maio.

«Não tem sentido nenhum que em democracia tenhamos um Governo cuja matriz seja enganar os portugueses», alertou o líder socialista, que acusou ainda o atual Governo de ter posto Portugal pior do que estava.

«Temos o Governo mais liberal da história da democracia e a receita liberal deste Governo conduziu a mais pobreza, mais emigração e mais desigualdades», acusou.

Mas, apontou, «não tinha que ser assim», como disse que defende Passos Coelho.

«Foi assim e é assim por opção ideológica do primeiro-ministro», esclareceu.

O secretário-geral socialista respondeu ainda, com críticas, à afirmação do líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que sexta-feira disse que o país está melhor, mas as pessoas estão pior.

«Não é possível nem admissível termos um Governo que diz que o país está melhor, mas as pessoas não. Para nós o país são as pessoas. As pessoas vivem mal, passam sacrifícios e quando as pessoas estão pior o país não pode estar melhor», referiu.

António José Seguro lembrou, então, que «há uma alternativa», a do PS e que esta alternativa «não é de despesismo» como tem sido apontado pelos partidos da direita.

«É uma alternativa de equilíbrio, contenção, através de um limite para a despesa, de desenvolvimento baseado numa economia do conhecimento, amiga do ambiente e que beneficie das novas tecnologias», apontou.