notícia atualizada

O secretário-geral do PS propôs esta quinta-feira as datas de 28 de setembro ou de 5 de outubro para a realização de eleições primárias abertas a simpatizantes, tendo em vista a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro. E a proposta foi aprovada por «larga maioria», com o dia 28 de setembro a ser o eleito.

De acordo com fonte oficial do PS, a votação seguiu-se à intervenção de António José Seguro, que encerrou a reunião da Comissão Política Nacional.

O dirigente socialista António Costa anunciou que apresentará uma declaração de voto a considerar este passo dado pelo PS como «um grave erro» político.

Na abertura da reunião da Comissão Política Nacional do PS, António José Seguro apresentou um projeto de resolução, ao qual a agência Lusa teve acesso, em que formaliza que o candidato a primeiro-ministro dos socialistas seja aquele que vencer as eleições primárias.

«Na hipótese de não vir a ser o candidato eleito, e apenas nessa circunstância, o secretário-geral do PS apresentará de imediato a sua demissão», vinca António José Seguro no projeto de resolução apresentado à discussão e votação da Comissão Política do PS.

Seguro propôs também que a comissão eleitoral das primárias para a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro seja escolhida até ao próximo dia 30, tendo as candidaturas de ser formalizadas até meados de agosto.

Até 30 de junho, segundo o projeto do líder do PS, deverão ficar concluídos os processos para elaboração e aprovação do regulamento eleitoral e de designação da comissão eleitoral - entidade que deverá ser aprovada por proposta da Comissão Política do PS, sendo «presidida por uma personalidade de reconhecido mérito nacional».

Tal como se previa, terão capacidade eleitoral nas primárias os cidadãos inscritos nos ficheiros nacionais do PS e da Juventude Socialista; candidatos deste partido às eleições autárquicas, legislativas, regionais e europeias; inscritos no laboratório de ideias e no movimento Novo Rumo do PS; e simpatizantes.

Apoiantes de Seguro elogiam; os de Costa querem tudo resolvido até julho

Membros da direção do PS elogiaram hoje o projeto do líder, António José Seguro, para a realização de eleições primárias, mas os apoiantes do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, querem o processo concluído em julho.

De acordo com fontes tanto da direção do PS, como de apoiantes de António Costa, esta diferença de posições em torno do calendário para a realização de eleições primárias, tendo em vista a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro, marcou o início da reunião da Comissão Política Nacional deste partido.

Álvaro Beleza, membro do Secretariado Nacional do PS, concordou com as datas propostas por António José Seguro para a realização de primárias, 28 de setembro ou 5 de outubro, preferindo entre estas duas datas o dia da implantação da República em Portugal, pelo seu simbolismo, num momento em que a democracia portuguesa atravessa um momento complexo.

No mesmo sentido pronunciou-se o vice-presidente da bancada do PS António Gameiro, também líder da Federação de Santarém deste partido.

Pelo contrário, o líder da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS, Marcos Perestrelo, bem como o ex-secretário de Estado Miranda Calha e o ex-presidente do Governo Regional dos Açores Carlos César defenderam a tese de que o processo de «clarificação» interna dos socialistas deverá ficar concluído até julho.

Carlos César, segundo um membro da Comissão Política, alegou que o país «tem pressa em ter um PS forte, capaz de responder aos seus problemas».