O secretário-geral do PS pediu este sábado «maior prudência nas palavras» de todos para o que deve Portugal fazer após o fim do programa de ajustamento financeiro firmado com a «troika».

«Hoje lemos estas declarações do Presidente da República. Na Grécia, o presidente Barroso, da Comissão Europeia, disse que Portugal iria ter uma saída limpa. E também lemos nos jornais que o Governo está a tentar uma terceira via. Convinha que, sobre este assunto, que é da maior importância para a vida dos portugueses e do nosso país, houvesse maior prudência nas palavras e de facto os protagonistas se pronunciassem em função de situações concretas», disse António José Seguro.

O líder socialista falava aos jornalistas numa escola lisboeta, à margem da sessão das conferências «Novo Rumo», no dia em que se soube que Cavaco Silva considera «uma ilusão» pensar que as exigências de rigor orçamental vão desaparecer após a conclusão do programa de ajustamento, e avisa que, pelo menos até 2035, Portugal continuará sujeito a supervisão.

Cavaco prevê supervisão externa até 2035 e que a decisão sobre um eventual programa cautelar deve ser tomada «no momento adequado»

Seguro diz que Cavaco terá informações que o PS não tem, «designadamente as condições» para um programa cautelar, mas reiterou que o Governo «tem obrigação de criar condições para que Portugal regresse a mercados sem ajuda suplementar».

O encontro de hoje das conferências «Novo Rumo» teve como tema a Educação e nele intervieram figuras como o ex-reitor da Universidade de Lisboa António Sampaio da Nóvoa e Maria João Rodrigues, conselheira das instituições europeias e antiga ministra do Trabalho de António Guterres.

António José Seguro afirmou, na sua intervenção perante dezenas de pessoas, que a Educação é uma «matriz do projeto» do PS para governar o país, e focou parte das suas palavras a incentivar aqueles que, sendo menos jovens, podem e devem ter novas oportunidades de formação.

«Nós não desistimos dos portugueses que têm 40, 45, 50 anos, e queremos oferecer essas oportunidades de formação e qualificação», garantiu, reconhecendo que tal medida «custa dinheiro» que, em parte, poderá chegar do novo quadro de fundos comunitários.

Na primeira fila, a assistir ao encontro, estiveram, entre outros, o dirigente socialista João Proença e Maria Barroso, uma das fundadoras do PS, que mereceu um cumprimento especial de António José Seguro durante a sua intervenção.

Também presentes no auditório da escola Padre António Vieira estiveram alguns deputados do PS, casos de Rui Paulo Figueiredo, Gabriela Canavilhas e Pedro Delgado Alves.