O secretário-geral do PS afirmou esta segunda-feira que os apelos do primeiro-ministro ao consenso com os socialistas «não colam» com os atos do Governo e considerou que Passos Coelho «acenou para a galeria» com fins mediáticos.

António José Seguro falava aos jornalistas após ter visitado o SISAB (Salão Internacional do Setor da Alimentação e Bebidas), horas depois de o primeiro-ministro, no mesmo local, ter insistido na importância de o PS «oferecer garantias» sobre as trajetórias da dívida e do défice públicos, reiterando o seu apelo a um entendimento nesta matéria.

Confrontado com este repto do líder do executivo, o secretário-geral do PS respondeu: «As palavras do primeiro-ministro não colam com a prática. Uma coisa são as palavras e outra coisa são os atos. E a prática do Governo contraria o discurso do primeiro-ministro», disse.

Durante a manhã, também no Parque das Nações, Pedro Passos Coelho defendeu que «um entendimento alargado beneficia muito a perspetiva de Portugal poder concluir com sucesso o seu Programa de Assistência Económica e Financeira e vir a ter juros mais baixos no financiamento futuro sempre que precisar de rolar uma parte da sua dívida nos mercados financeiros».

No entanto, para António José Seguro, «a vida pública portuguesa precisa mais de atos do que de palavras e, sobretudo, precisa de palavras que estejam em coerência com esses mesmos atos».

«Verificamos que o primeiro-ministro diz uma coisa mas depois pratica outra completamente diferente. Não é essa a minha maneira de olhar para os problemas do país», referiu.

O secretário-geral do PS apontou depois quatro casos em que, na sua opinião, o Governo não respeitou a opinião dos socialistas: Lei de Bases do Ambiente, «com garantia de não privatização das águas; privatização da EGF (holding de resíduos sólidos urbanos); acordo de parceria para os fundos comunitários; e regulamentação dos despedimentos sem o consenso dos representantes dos trabalhadores».

«Estes exemplos, entre outros que poderiam ser dados, demonstram que o discurso do primeiro-ministro é um discurso para a galeria, que tem fins mediáticos e que não tem qualquer correspondência com a prática do Governo», reforçou.

Interrogado sobre a insistência do líder do executivo num acordo de médio prazo, António José Seguro citou uma entrevista de dezembro de Pedro Passos Coelho em que sustentou que um programa cautelar dispensava a assinatura do PS.

«Mais uma vez o primeiro-ministro diz uma coisa diferente do que dizia ainda há bem pouco tempo. Todos se recordam quando dizia que não precisava do PS. Precisamos na vida pública de políticos que façam corresponder as palavras à ação e a ação a palavras. Caso contrário, tudo não passa de discurso para fins mediáticos», declarou, no final de cerca de duas horas de visita à SISAB.

Na SISAB, António José Seguro, provou sumo de laranja, tintos de Douro, presunto do Alentejo e encontrou-se com o antigo jogador do Benfica e da seleção nacional Nuno Gomes no stand da Sagres.

«Esta é a terceira vez que visito a SISAB e cumpro um dever. Esta feira promove uma aliança fantástica entre as empresas vocacionadas para a exportação e potenciais compradores. Aqui promovem-se os produtos de excelência do nosso país e contribui-se para o aumento das exportações, criando-se riqueza e postos de trabalho», salientou o secretário-geral do PS.