Atualizado às 12:46

António José Seguro desafiou esta sexta-feira, durante o debate quinzenal, Pedro Passos Coelho para um debate a dois. E a proposta era a sério. Minutos depois, o PS fez chegar ao gabinete do primeiro-ministro uma carta para acertar, data, local e regras para o «encontro».

«Não viveremos eternamente em crise» afirmou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no seu discurso que abriu o debate. Palavras positivas sobre a economia que não convenceram a oposição.

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«O senhor vai ficar conhecido como o campeão da dívida pública», afirmou Seguro lembrando o aumento de 30 mil milhões de euros. Mas o líder socialista insistiu noutra ideia: «o pais está pior agora». «Enquanto a maioria dos portugueses está no desemprego e 200 mil saíram do país, aumentaram o número do milionários. Há agora mais desigualdades do que no início do programa de ajustamento», acusou.

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Passos Coelho discordou. «Se diz que podemos sair do programa como a Irlanda, então é porque estamos melhor, porque se estivéssemos pior estávamos a pedir ajuda externa», ironizou o primeiro-ministro.

Duas visões para um mesmo país, que o líder do PS sugeriu transformar-se num debate a dois. Um encontro com data marcada - até 27 de janeiro - e que se poderá realizar num órgão de comunicação social.

Para Passos Coelho, o líder do maior partido da oposição nunca explica «onde faria as poupanças» para concretizar o programa de consolidação orçamental.

«Sobre cortes em qualquer setor do Estado, aceito discutir consigo quando o senhor deputado disser onde fará poupanças públicas para atingir resultados em matéria de défice público ainda mais exigentes. O senhor deputado não diz onde vai buscar essas poupanças. Quando disser nós conversamos sobre isso», afirmou o primeiro-ministro.

«Temos de definir as condições e os tempos desse debate para aprofundar as questões das poupanças públicas, mas também um plano de crescimento para o país. Estou disponível para esse debate. Aliás, considero que é essencial fazê-lo antes do dia 27 de janeiro, porque o país teria a ganhar com isso», respondeu Seguro. Esta é a data anunciada para o início formal das negociações da saída do país programa de ajustamento.

Mas a resposta de Passos Coelho não é clara: «Se o senhor deputado dissesse nestes debates quinzenais onde cortaria, em vez de fazer sempre as mesmas perguntas, já teríamos certamente avançado nesse debate».

Das palavras, o PS passou à ação. Ainda decorria o debate quando se soube que já tinha feito chegar uma carta ao gabinete primeiro-ministro para acertar, data, local e regras para o debate.

«Dando sequência à disponibilidade manifestada pelo senhor primeiro-ministro, para a realização de um debate público com o dr. António José Seguro, venho propor a marcação de uma reunião a realizar esta tarde, ou num dos próximos dias, para acerto da data, local e regras do referido debate», escreve Miguel Ginestal, chefe de gabinete do secretário-geral do PS.

Durante o debate o secretário-geral do PS também pegou em afirmações proferidas pelo primeiro-ministro na entrevista à TSF e TVI, segundo as quais estranhava as posições da diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, sobre a necessidade de Portugal possuir mais tempo para cumprir o programa de ajustamento e, por isso, reconheceu «um erro».

«Quantas vezes lhe disse aqui que nós precisaríamos de mais tempo e quantas vezes o primeiro-ministro me disse que eu estava a ser irresponsável. Pois bem, na altura estávamos certos», advogou o secretário-geral do PS.