O secretário-geral do PS mostrou-se esta sexta-feira contra uma possível redução de postos de trabalho na sequência do plano de reestruturação do Novo Banco, afirmando que não podem ser os «mais vulneráveis» a pagar os prejuízos.

«Não podem ser os mais vulneráveis a pagar os erros dos administradores e dos acionistas, isso é que é inaceitável. Então agora os administradores cometeram erros e são os trabalhadores que vão pagar, vão ser os responsáveiS?», questionou António José Seguro, citado pela Lusa.

O secretário-geral socialista, que falava aos jornalistas em Nisa (Portalegre) à margem de um encontro com simpatizantes e militantes do PS, sublinhou que os pequenos acionistas ou os contribuintes não podem ser responsabilizados neste caso. Seguro mostrou-se, por isso, «surpreendido» com as declarações de Vítor Bento que, em entrevista à SIC, afirmou que está a preparar uma reestruturação no Novo Banco.

Vítor Bento, que admitiu que a restruturação poderá passar pela redução de balcões e por despedimentos, acrescentou que o plano deverá estar pronto daqui a um máximo de três meses, e o objetivo é redimensionar o banco e torná-lo rentável.

«Parece-me surpreendente que a primeira declaração seja nesse sentido, as partes mais vulneráveis não podem ser eles, em primeira instância, a ter que pagar esta situação e, sobretudo, com o elevado número de desempregados que há no nosso país», disse António José Seguro.

Para o dirigente socialista existe uma «crise de confiança» no país e no regime. António José Seguro considerou que os portugueses estão «desiludidos» com a política, «não acreditam» nas instituições e na justiça e que agora tiveram «mais uma surpresa» e «mais uma razão» para «desconfiar» do sistema bancário.

O secretário-geral do PS disse que é preciso «dar razões de confiança» para que os portugueses voltem a acreditar nas instituições, sublinhando que, para isso, é necessário uma «rutura» no regime.

No encontro em Nisa com simpatizantes e militantes do PS, António José Seguro voltou a mostrar-se preocupado com as questões relacionadas com o desemprego e com a interioridade.