O secretário-geral do PS condenou, este domingo, o excesso de zelo do Governo na aplicação das políticas de austeridade, que vão para além do necessário para equilibrar as contas públicas e para além do que a Europa impõe.

Numa intervenção na sessão de apresentação pública dos candidatos às eleições europeias de 25 de maio, o líder socialista, António José Seguro, vincou a importância daquele ato eleitoral, sublinhando que «os portugueses sentem isso no seu dia-a-dia, sentem isso quando têm um corte nas pensões, quando têm um corte nos salários, sentem isso quando a política de austeridade vai para além daquilo que seria necessário para equilibrar as nossas contas públicas em condições de dignidade».

«Não é apenas porque a Europa o impõe, é também porque há um excesso de zelo da parte do Governo português e uma profunda identidade entre o Governo português e aqueles que lideram hoje a Europa no sentido de aplicar essa política de sacrifícios, essa política de austeridade que não encontra razoabilidade, nem muito menos consegue contribuir para um equilíbrio sustentável das nossas contas públicas», disse Seguro.

O secretário-geral do PS recusou ainda ideia de que há uma agenda nacional e uma agenda europeia, sublinhando que existe apenas «uma agenda que diz respeito a todos».

«A ideia que na Europa se discutem temas que não interessam ao nosso país nunca foi verdade e, sobretudo hoje, não é verdade», vincou.

PS acredita numa mudança no rumo do país a 25 de maio

Quanto à lista que o PS apresenta às eleições europeias e que é encabeçada por Francisco Assis, António José Seguro disse que as principais preocupações na sua elaboração foram a qualidade e a competência, destacando o facto de incluírem três independentes em lugares elegíveis.

O secretário-geral socialista deixou ainda uma nota sobre o facto de se tratar de «uma lista verdadeiramente paritária», com metade de homens e metade de mulheres.

«Não precisámos de andar com uma candeia à procura de mulheres para ir para essa lista», gracejou, sustentando que as mulheres que integram a lista do PS têm «inegável competência e grande qualidade».

A lista socialista às europeias, que foi aprovada por unanimidade pela comissão política nacional na terça-feira à noite e é liderada por Francisco Assis, tem como número dois a antiga ministra de António Guterres e atual conselheira da União Europeia Maria João Rodrigues.

Em terceiro lugar surge Carlos Zorrinho, a eurodeputada Elisa Ferreira em quarto e em quinto o açoriano especialista na área do mar Ricardo Serrão Santos.

A atual eurodeputada Ana Gomes está no sexto lugar, enquanto Pedro Silva Pereira, antigo ministro de José Sócrates, é sétimo.

Em oitavo lugar surge a professora universitária madeirense Liliana Rodrigues, Manuel dos Santos está em nono, Maria Amélia Antunes em décimo e José Junqueiro em décimo primeiro.

O ensaísta Eduardo Lourenço é candidato em 21.º lugar, o último dos efetivos.

Os atuais eurodeputados Vital Moreira, Edite Estrela, Capoulas Santos e Correia de Campos não constam da lista.