O secretário-geral do PS afirmou esta terça-feira que o grau de aceitação pelo Governo das propostas socialistas de alteração ao Orçamento, aumento do salário mínimo e IRC constituirá «um teste» à vontade de consenso do primeiro-ministro.

António José Seguro falava na sessão de encerramento da conferência sobre o Orçamento do Estado para 2014 promovida pela Tendência Sindical Socialista, tendo elogiado o facto de o encontro ter juntado, pela primeira vez, ao fim de nove anos, sindicalistas do PS da UGT, CGTP e de sindicatos independentes.

«As nossas propostas [de alteração ao Orçamento] serão um teste à verdadeira vontade de compromisso do Governo. Temos ouvido muita gente a apelar aos compromissos e a dizer que o PS não quer contribuir com soluções. Pois bem, aqui têm propostas claras e concretas», referiu o secretário-geral socialista.

De acordo com Seguro, perante as propostas «concretas» presentadas pelo PS, o «primeiro-ministro tem de dizer se está ou não disponível, se tem ou não vontade, para as aprovar em nome do consenso e do compromisso que ele apregoa».

«Aqui está, não na base da retórica, mas de propostas concretas, que ajudam a aliviar os sacrifícios sobre as empresas e as famílias, um desafio que deixo» a Pedro Passos Coelho, frisou Seguro, antes de defender que convergências e compromissos «só se podem fazer em torno de propostas concretas».

«Em tese, todos nós somos a favor de entendimentos. Mas, no concreto, qual vai ser a resposta do primeiro-ministro? O que ele vai dizer aos seus deputados em relação às propostas do PS? Qual delas é que aceita aprovar, duas, três ou quatro?», questionou o secretário geral do PS.

António José Seguro desafiou ainda Pedro Passos Coelho a aprovar, no âmbito da reforma do IRC, uma redução deste imposto até aos primeiros 12500 euros de lucro e de aceitar um aumento do salário mínimo nacional.

«Neste país há um consenso para o aumento do salário mínimo e só o primeiro-ministro não está a de acordo de que se inicie imediatamente essa discussão. O país e os portugueses estão cansados de conversa fiada. Este é o momento de falarmos de propostas concretas e de alternativas», referiu o secretário-geral do PS

Na sua intervenção, o líder socialista afirmou-se também «envergonhado» por o Conselho de Reitores ter decido romper as suas relações com o Governo, alegando que o executivo PSD/CDS está a violar o princípio da autonomia do Ensino Superior.

Seguro, a este propósito, salientou que os socialistas apresentaram uma proposta de alteração ao Orçamento para repor em níveis minimamente aceitáveis as verbas destinadas ao Ensino Superior.

Antes de António José Seguro, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, acusou o Governo de estar mais preocupado com os mercados do que com a democracia portuguesa e referiu que naquela conferência participaram sindicalistas da UGT, da CGTP e independentes - «um sinal dos tempos e um sinal de convergência».

Depois, Carlos Silva fez uma referência controversa à ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha em 1933, dizendo que as primeiras vítimas do ditador nazi foram os sindicalistas.

«Não permitiremos que, com o medo, toldem a nossa visão», declarou o secretário-geral da UGT, numa intervenção em que prometeu que lutará «contra a destruição da negociação coletiva».

«Nós não vamos vergar. Estaremos mobilizados»,cita a Lusa.