O secretário-geral do PS acusou esta sexta-feira o Governo de estar a preparar uma «TSU dos idosos» ao alargar a incidência da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) e defendeu que o défice aumente em 0,2 por cento.

Estas posições foram assumidas por António José Seguro no final de uma reunião com a Cáritas Portuguesa, depois de confrontado com as medidas do Governo que visam alargar a base de incidência da CES e aumentar as contribuições para a ADSE para contornar o chumbo da convergência das pensões dos funcionários públicos pelo Tribunal Constitucional.

«A nossa posição é muito simples: é necessário parar com a austeridade. Isso significa que se pode acomodar em 0,2% o défice para o próximo ano», frisou o líder socialista, considerando que as medidas do executivo configuram «uma TSU sobre os idosos».

Nas suas declarações, António José Seguro fez uma referência indireta «à linha vermelha» traçada no ano passado pelo atual vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, em relação a uma eventual «TSU dos pensionistas», ou seja, um aumento de taxas sobre a generalidade das pensões.

«O Governo anunciou que vem aí a TSU dos idosos. O PS só tem uma palavra, sempre esteve e estará contra. Esperemos que dentro do Governo também só exista uma palavra», afirmou o secretário-geral do PS.

António José Seguro criticou também a forma como foram anunciadas as novas medidas sobre os funcionários públicos e pensionistas no final da reunião do Conselho de Ministros.

«O PS considera que esta não é uma forma de governar, anunciando-se meias medidas. O Governo diz que vai porventura num determinado sentido, mas não diz quais são os portugueses que são abrangidos. Isso cria mais incerteza e insegurança no início do novo ano para famílias de portugueses que passam enormes privações», apontou.

Já em relação à possibilidade de Portugal deixar deslizar o défice em 0,2 pontos percentuais, Seguro defendeu que tal é possível em negociação com a troika.

«Os 0,2 podem ser facilmente acomodados no défice. A Irlanda, antes de sair do programa de assistência financeira, conseguiu contratar um défice de 4,7%. Se Portugal tiver um défice de 4,2% não vem nenhum mal ao mundo, porque é uma gota de água comparada com 100, 200 ou 300 euros no bolso dos reformados», argumentou o secretário-geral do PS.

Para o líder socialista, mesmo a cinco meses do final do programa de assistência financeira, Portugal está em condições de renegociar com a troika metas do seu programa de ajustamento.

«É fundamental que a troika e o Governo percebam que é necessário um equilíbrio das contas públicas por via do crescimento. Os défices equilibram-se tanto por via da redução da despesa como por via do crescimento da economia. Mais austeridade significa que haverá maior dificuldade para equilibrar as contas públicas», argumentou.