O secretário-geral do PS considerou esta terça-feira «inaceitável» que o Governo «esconda decisões» sobre o Documento de Estratégia Orçamental (DEO) e comparou a «luta» atual pelo Estado social ao combate de Mário Soares pela democracia em 1974/75.

António José Seguro falava no jantar/comício de homenagem aos antigos líderes da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS, no pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa, perante várias centenas de militantes socialistas.

Na sua intervenção, o líder do PS usou a ironia para se referir aos sucessivos adiamentos que o Governo ter feito em relação à marcação do briefing sobre a conclusão do DEO e acusou o primeiro-ministro de se preparar para «transformar em definitivos cortes que prometera serem provisórios», vigorando apenas enquanto Portugal se encontrasse sob assistência financeira da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional).

«Parece que é amanhã [quarta-feira], mas que é amanhã já todos sabíamos, porque termina o prazo, sendo o último dia» para entregar em Bruxelas o DEO, referiu António José Seguro, numa intervenção em que defendeu que os portugueses exigem «um Governo decente, que fale verdade e não negoceie nas costas dos portugueses».

«Não é aceitável que o Governo esconda dos portugueses aquilo que decidiu. Em democracia esse documento [DEO] não é segredo de Estado», alegou o secretário-geral do PS.

Para Seguro, «bem pelo contrário, é necessário que o Governo explique o que aprovou e assuma a sua política orçamental».

«Isto não é forma de governar um país. Um Governo que esconde e um Governo que faz o contrário do que promete não merece a confiança de um povo», acrescentou.

Perante os militantes socialistas da FAUL, António José Seguro traçou também um dualismo entre os valores ultraliberais e a defesa do Estado social, que considerou ameaçada pelo atual executivo PSD/CDS.

«Estaremos neste momento a defender o Estado social como em 1975 Mário Soares e os socialistas estiveram a defender a liberdade para consolidar a democracia em Portugal. A mudança não cai do céu, mas a mudança está na mão de cada um de nós. O 25 de Abril também nos deu o poder da mudança», declarou.

Neste contexto, António José Seguro apelou ao voto no PS nas eleições europeias.

«O PS é o único partido que pode derrotar as forças do atual Governo» declarou, agora num apelo ao chamado voto útil.