O antigo presidente da República, Mário Soares, considerou esta quarta-feira que o PS, «se fosse um bocadinho mais ativo, tinha 90 por cento» dos votos, dado o mal-estar social em Portugal.

Aguiar-Branco critica «velhos do Restelo» e «carpideiros»

O socialista fundador percecionou ainda um chefe de Estado, Cavaco Silva, «atemorizado» no Palácio de Belém, adiantando que a prova está no recente pedido de fiscalização preventiva junto do Tribunal Constitucional do diploma que estabelece a convergência das pensões da função pública com o regime geral da segurança social.

«Se o PS fosse um bocadinho mais ativo, tinha 90 por cento com certeza», declarou Soares, na apresentação de um livro que reúne múltiplas crónicas da sua autoria, publicadas em meios de Comunicação Social entre setembro de 2012 e julho de 2013, no Centro Cultural de Belém, Lisboa.

Para o estadista, «hega a uma certa altura em que as pessoas não pagam e os banqueiros vão sentir isso».

«É uma coisa socialmente impossível. A própria troika, quando quer à força que o PS entre, é para evitar, para que haja alguém responsável que modere as coisas», analisou o antigo primeiro-ministro.

Segundo Mário Soares, «é evidente» que «todo o país está a odiar o Governo e, diga-se de passagem, o Presidente da República».

«Eu penso que ele [Cavaco Silva] está agora atemorizado e isso foi uma boa coisa porque veio com aquela história, logo a seguir à Aula Magna. Pensou duas vezes e disse: 'vamos lá fazer essa coisa, a ver se pega'. E realmente, os sindicatos ficaram satisfeitos. Vamos lá ver agora o que vem a seguir, se continua ou se desiste», afirmou, referindo-se ao envio para o TC por parte do Presidente do diploma que regula a convergência das pensões.

Soares congratula-se com concordância do Papa em relação à violência

Mário Soares congratulou-se hoje por a sua opinião coincidir com a do Papa Francisco, relativamente ao perigo de violência devido à atual situação económico-social, esclarecendo não ter feito qualquer apelo a ações hostis.

«Isto vai resultar numa grande violência. (O papa Francisco) Disse isso dois dias depois de eu dizer», afirmou o também antigo primeiro-ministro e fundador do PS na apresentação de um livro que reúne múltiplas crónicas da sua autoria, publicadas em meios de comunicação social entre setembro de 2012 e julho de 2013, no Centro Cultural de Belém, Lisboa.

Soares tinha sido publicamente criticado, nomeadamente por parte da maioria governamental, devido a declarações anteriores, na conferência por si organizada, na Aula Magna, em defesa da Constituição da República.

«É uma pessoa para a qual eu olho como sendo um gigante e eu um anão, como faço em relação a outra grande figura que é o [presidente dos Estados Unidos, Barack Obama]. São duas pessoas importantíssimas, mas o Papa veio dizer uma coisa - claro que já estava escrita e pensada por ele antes -, mas veio dizer, por acaso, no dia seguinte a eu ter dito», continuou.

Mário Soares regozijou-se com o facto de «quando toda a gente estava a dizer 'olha, aquele malandro [Soares], quer é violência'», o Papa ter vindo a terreiro com opinião semelhante.

«Vem dizer exatamente aquilo que eu digo. É preciso cuidado porque vem aí a violência», reiterou.