O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, afirmou hoje que está em curso no país uma campanha sistemática de «assassinato político» contra alguns membros do Governo, através de um ataque à honra das pessoas.

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Rui Machete falava na Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros, após o PS, por intermédio de Pedro Silva Pereira, ter pedido a sua demissão do Governo na sequência da entrevista que concedeu à Rádio Nacional de Angola e de o dirigente da bancada social-democrata António Rodrigues ter aludido a uma «campanha» contra o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros.

O ministro usou então da palavra para concordar com a tese do deputado do PSD António Rodrigues, embora isentando o PS de responsabilidades nessa alegada campanha negra.

«Não é normal que se procure fazer uma campanha de ataque pessoal, que visa um verdadeiro assassinato político e um ataque à honra das pessoas», declarou o membro do executivo.

Na perspetiva de Rui Machete, «somando as coisas, é hoje indubitável que pelos "timings" utilizados, pelos argumentos e instrumentos usados, existe uma política de destruição deste ou daquele membro do Governo, tudo feito de uma forma sistemática nos vários meios de comunicação social ou por outros processos».

«Isto mostra como é hoje diferente a forma de fazer política em Portugal em alguns casos, ou em relação a alguns partidos, o que lamento porque não beneficia a democracia», criticou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Na resposta ao ex-ministro socialista a Pedro Silva Pereira, Rui Machete contrapôs que «a crise» nas relações entre Portugal e Angola «foi o facto de ter havido uma violação do segredo de justiça» sobre alegadas investigações em curso no país.

«Na entrevista, procurei aproveitar o belíssimo clima com o meu homólogo angolano, explicando que - penso - este problema [das investigações] não se revestia da gravidade emprestada pelas autoridades angolanas. Foi um juízo político, mas [Pedro Silva Pereira], tentando fazer um interpretação jurídica, com uma análise carregada de interpretações jurídicas, falhou inteiramente o seu objetivo», sustentou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Para Rui Machete, neste caso da entrevista à Rádio Nacional de Angola, «é conveniente» para o PS que «haja um ataque com uma aparência formal, porque as declarações não foram precisas e não foram produzidas por escrito».

«Mas [Pedro Silva Pereira] não quis atentar na natureza estritamente política das considerações feitas. Não aceito a ideia de que pareço um réu a defender-me perante um tribunal», acrescentou o membro do executivo.

Em defesa de Rui Machete pronunciou-se também o deputado do CDS Lino Ramos, dizendo que na entrevista à Rádio Nacional de Angola o ministro dos Negócios Estrangeiros teve o cuidado de salientar que, em Portugal, «o Ministério Público não está subordinado ao Ministério da Justiça».

«Está aqui reflectido o respeito absoluto pelo princípio da separação de poderes», sustentou o deputado do CDS-PP.