O líder parlamentar do PSD considerou esta quarta-feira que o relatório sobre a décima avaliação ao programa de assistência deve ser entendido como «um apelo a todos» para o compromisso, reiterando a disponibilidade dos sociais-democratas para o diálogo.

«É um documento que também deve ser entendido como um apelo a todos - nós não deixaremos de fazer a nossa parte, estamos disponíveis e abertos a poder dialogar com o PS - este relatório também apela a este sentido de compromisso que nós também gostaríamos que o PS se pudesse envolver, concretizando as suas propostas», afirmou o líder da bancada do PSD, Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

Num comentário ao relatório do Fundo Monetário Internacional sobre a décima avaliação ao Programa de Assistência Económica e Financeira, hoje divulgado, Luís Montenegro recuperou assim o apelo aos socialistas, que tem sido sistematicamente repetido pelos sociais-democratas, apontando as áreas onde deveria existir um compromisso entre partidos.

«O ponto principal e o ponto chave é que Portugal tem de se confrontar de ter um ciclo de crescimento que não pode ser prejudicado por aquilo que está subjacente a um descontrolo da despesa pública», disse, insistindo que «isso pressupõe compromissos» relativamente a objetivos concretos, como a definição de tetos para a despesa primária, a definição das prioridades de investimento e a definição do aproveitamento de fundos comunitários e principais reformas na área do Estado.

«Tudo isto poderá ser favorecido se em Portugal os principais agentes políticos e também os principais partidos políticos se possam entender», acrescentou, sublinhando que o PSD tem intenção de conciliar estes «desafios importantes» com «algum alivio fiscal nos próximos anos».

O líder parlamentar do PSD destacou ainda que o relatório do FMI releva que Portugal está «num caminho de cumprimento» daqueles que foram os compromissos do país e assinala o facto do objetivo estabelecido para a meta do défice para 2013 ter sido alcançado.

Além disso, acrescentou, os sociais-democratas registaram que o esforço de recuperação financeira do país ter se ser continuado mesmo depois do final do programa,

«Há duas respostas que temos de alcançar em simultâneo: ter um crescimento económico sólido e consistente e a diminuição estrutural ao nível da despesa pública», reiterou.

No relatório hoje divulgado, o FMI alerta que os riscos que se colocam ao cumprimento dos objetivos do programa em Portugal «continuam elevados» e apela a um «consenso político amplo» para garantir que o ajustamento orçamental é sustentado.

«É necessário um amplo consenso político para garantir que os esforços de ajustamento orçamental realizado nos últimos três anos sejam sustentados», é referido no relatório.