O porta-voz do PSD defendeu que os cortes salariais no setor público são «transitórios e anualizados» e que em cada ano terá de ser tomada uma decisão sobre esta matéria.

«Por isso é que os cortes estão numa lei orçamental. A lei orçamental vigora durante o ano respetivo. Portanto, essa é uma decisão que em cada ano terá de ser tomada», explicou Marco António Costa.

Sem se pronunciar sobre nenhum ponto em concreto do relatório do FMI, o dirigente nacional social-democrata afirmou que o PSD vai analisar esse documento «com toda a profundidade» e depois tomará decisões com base «na conjugação das opiniões» que tiver recolhido.

Marco António Costa relativizou a importância do relatório sobre as oitava e nona avaliações. «Nós já tivemos vários relatórios do FMI que suscitaram muito debate na sociedade portuguesa, e aquilo que tem acontecido é que o próprio Governo e a própria sociedade portuguesa, através dos seus agentes políticos, têm encontrado o seu próprio caminho», considerou.

Já o CDS-PP defendeu que o relatório do FMI confirma o «início de inversão do ciclo económico» e demonstra as diferenças de posição entre esta instituição e o Governo.

«Por um lado confirma uma lógica de conclusão do programa de assistência (...) e confirma que há o início de uma inversão do ciclo económico, reconhecendo o crescimento no último trimestre», afirmou o deputado e porta-voz do CDS-PP, João Almeida.

O deputado centrista considerou ainda que o relatório do FMI «é muito revelador» das diferenças de posições entre o Governo e a troika.

«Ficou claro que o Governo defendeu outro limite para o défice deste ano e outro limite do défice poderia ter feito muita diferença em matérias como o IRS, que poderia ter sido reduzido, do IVA da restauração, que poderia ter sido reduzido, e dos cortes em salários e pensões que poderiam ter começado num nível superior», exemplificou.

João Almeida apontou ainda como diferenças entre o Governo e o FMI a posição sobre o custo unitário do trabalho. «Fica evidente que foi por pressão do FMI que se voltou a discutir a questão do custo unitário do trabalho e que foi por pressão do Governo de Portugal que se entendeu que os custos unitários do trabalho já tinham sido suficientemente reduzidos, (...) e que o Governo não está disponível para mais medidas que possam pôr em causa aquele que é o nível salarial em Portugal», referiu.

Por outro lado, o porta-voz do CDS-PP destacou ainda as diferenças entre Governo e FMI sobre os cortes da despesa pública, que esta organização gostaria que incidissem mais sobre salários e pensões.

Por essa razão, João Almeida salientou a importância de Portugal recuperar a sua autonomia no próximo ano.

«Quanto menos tempo estivermos na dependência dos nossos credores internacionais, mais cedo podemos seguir o nosso próprio caminho, que, como é evidente, é muito diferente», concluiu.