O conselheiro económico do PS Óscar Gaspar disse esta quinta-feira que o partido, «ao contrário do Governo», trabalhará, quando chegar ao executivo, para repor salários e pensões, mas sublinhou que «não há varinhas mágicas na economia».

«Ao contrário do Governo, o PS trabalhará nesse sentido. E o PS não fará mais cortes, ao contrário daquilo que sabemos que o Governo está preparado para fazer e se comprometeu com a troika», declarou Óscar Gaspar em Lisboa, à margem de uma sessão da convenção «Novo Rumo para Portugal».

O socialista falava depois de o porta-voz do PSD, Marco António Costa, ter lançado um repto ao PS para que esclareça as declarações de Óscar Gaspar, conselheiro económico de António José Seguro, sobre a reposição dos salários ao nível de 2011.

No programa Negócios da Semana, da SIC Notícias, Óscar Gaspar disse que não é possível voltar a repor os rendimentos dos portugueses ao nível de 2011.

Hoje, e insistentemente questionado pelos jornalistas sobre a matéria, Gaspar não se comprometeu com a reposição de salários mas assinalou que o PS trabalhará para tal, criticando Marco António Costa por insinuar que «há um caminho único para a saída da crise».

«O Governo continua a insistir em mais cortes, os portugueses sabem que vêm aí mais cortes, e o PS tem reclamado em prol do crescimento e da criação de emprego que é necessário parar com esta política de cortes», advertiu o conselheiro económico.

Óscar Gaspar desafiou ainda Marco António Costa para um debate sobre esta matéria e «outras questões» económicas e financeiras.

«Não há varinhas mágicas na economia. De um momento para o outro não é possível recuperar dois anos e meio de asneiras económicas e políticas que este Governo fez. É isso que está em causa», sublinhou o socialista.

O conselheiro de Seguro admitiu que seria uma «irresponsabilidade» dizer que com o PS no governo «não haveria dificuldades e tudo mudaria de um dia para o outro».

«Não é assim. A situação do país é infelizmente grave que vai exigir muito trabalho, um trabalho que não se vai esgotar num mês», reconheceu, dizendo ainda que não há «nenhuma mudança de discurso» no PS sobre a matéria.

Marco António Costa pediu para que o PS esclareça se as afirmações do conselheiro de António José Seguro, «coincidem com as do Governo, e com o realismo da situação, ou se é a posição que tantas vezes se ouve pela voz de outros dirigentes do PS que prometem o céu e a terra aos portugueses» perto das eleições.

Questionado no programa da SIC Notícias, em que também esteve o deputado social-democrata e vice-presidente da bancada do PSD Miguel Frasquilho, sobre se o PS quando for Governo repõe os salários, pensões e prestações sociais ao nível de 2011, Óscar Gaspar respondeu: «A resposta séria é não. Nem os portugueses imaginariam, nem nunca ouviram do líder do PS nenhuma proposta demagógica para voltarmos a 2011 porque não é possível. As contas públicas portuguesas não o permitem».