A distrital do PS/Porto reiterou hoje a discordância com a aceitação de pelouros por parte dos vereadores socialistas da Câmara do Porto, concordando, no entanto, com o acordo «programático» estabelecido com o presidente eleito da autarquia.

O presidente eleito da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira, e o socialista Manuel Pizarro chegaram domingo a um acordo, com duração de quatro anos, «para o governo da Cidade do Porto», atribuindo «pelouros a vereadores eleitos pelo Partido Socialista».

Domingo à noite, o secretariado distrital do PS/Porto reuniu de emergência para analisar este acordo, encontro no qual esteve presente o cabeça de lista socialista nas eleições autárquicas, Manuel Pizarro.

«O PS do distrito do Porto desde a primeira hora apoiou o estabelecimento de um acordo programático para que ocorresse uma boa governação da cidade. Também é sabido que, publicamente, sempre entendemos que, para essa boa governação fosse alcançada (...), não era necessário que os vereadores do PS assumissem pelouros ou outras responsabilidades nas entidades municipais», disse o líder da distrital, José Luís Carneiro, aos jornalistas no final da reunião.

Assim, José Luís Carneiro explicou que a distrital do Partido Socialista concorda com a parte do acordo relativa às questões programáticas, que «sirva a boa governação da cidade», discordando com «a assunção dos pelouros e de outras responsabilidades» por parte dos vereadores do PS.

«Agora nesta fase o que devemos formular é votos para que os vereadores eleitos do PS assumam as suas responsabilidades em plenitude para com a cidade, para que desenvolvam um bom trabalho, por forma a garantirmos o propósito do PS continuar a ser uma alternativa de Governo nesta cidade», explicou.

Interrogado sobre qualquer retaliação sobre Manuel Pizarro, José Luís Carneiro respondeu que «o PS é um partido plural e que respeita os poderes estatutários dos seus órgãos».

«A comissão política concelhia deu um mandato muito claro para que o seu presidente negociasse um acordo com o Dr. Rui Moreira», justificou.

O líder distrital antecipa agora «uma segunda fase» do acordo, na qual «se discutirão os pelouros em concreto e aqueles que irão assumir essas mesmas responsabilidades».

Em declarações à agência Lusa na noite de 07 de outubro, José Luís Carneiro afirmou que, numa eventual coligação na autarquia portuense, os socialistas deveriam viabilizar as grandes propostas, mas abdicar de pelouros ou entidades municipais, defendendo então o diálogo com o presidente eleito, Rui Moreira.

O independente Rui Moreira venceu as eleições para a Câmara do Porto com maioria relativa, ficando a candidatura do PS, encabeçada por Manuel Pizarro, em segundo lugar, e a do PSD, liderada por Luís Filipe Menezes, na terceira posição.