O PS criticou a existência de uma operação de nomeações na administração pública feitas «sem rigor, sem transparência e sem pudor» por um Governo que «prima pela falta de transparência a todos os títulos».

«Num momento em que o Governo e a maioria insistem na receita de perseguição aos funcionários públicos e na criação de um ambiente de pressão para as rescisões, está em curso uma operação de nomeação de chefias na Administração Pública sem rigor, sem transparência e sem pudor», disse António Galamba, membro do Secretariado Nacional do PS, numa declaração aos jornalistas na sede do partido, em Lisboa.

O socialista referiu que o partido tem recebido denúncias de situações do género, tendo referido também alguns casos que têm sido publicados na comunicação social, como sucede esta sexta-feira no «Diário de Notícias», que fala de um «concurso à medida no Estado» na nomeação do sub-diretor geral do Tesouro.

«O traço comum a muitos desses concursos é o da adoção de critérios discriminatórios, aleatórios e sem nexo que alimentam fundadas suspeitas de que se tratam de critérios à medida de determinados candidatos», apontou António Galamba.

Para o PS, o Governo «tem dificuldade em conviver com as regras», sejam elas as «da Constituição, as regras da legislação em vigor e as regras dos concursos públicos».

«E tudo isto acontece existindo uma Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP), paga a peso de ouro, que para cumprir a sua missão tem de ser alertada pela comunicação social», declarou ainda António Galamba, que abordou ainda as declarações de hoje ao DN do presidente da entidade, João Bilhim, que afirmou estar a «estragar os arranjos a muita gente».

As declarações de Bilhim, disse António Galamba, «impõem um esclarecimento público ao portugueses» da parte do Governo.

«Que casos e quem esteve envolvido nos arranjos estragados?», interrogou o socialista.

O PS diz ainda que o executivo já «nem sequer publica já as nomeações dos gabinetes dos membros do Governo», denunciando que neste momento «há 96 pessoas que estão nomeadas e não constam do sítio na Internet de nomeações do Governo».

«No sítio de nomeações do Governo há neste momento 1.101 pessoas que não constam. O que estão a esconder? Que rede estão a montar?», perguntou.