O dirigente social-democrata e ministro da Defesa, Aguiar-Branco, qualificou este sábado de «oportunista» e «não séria» a intenção do PS em criar uma comissão parlamentar de inquérito ao processo dos submarinos e dos blindados Pandur.



«Estiveram tanto tempo no Governo, fizeram pagamentos referentes aos submarinos, fizeram pagamentos referentes aos Pandur, e agora, no dia do Congresso do PSD é que lhes ocorre fazer uma comissão de inquérito», afirmou Aguiar-Branco aos jornalistas à entrada para o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, onde decorre até domingo o XXXV Congresso do PSD.



Para o ministro da Defesa, os socialistas têm «a intenção de queimar mediaticamente» o Congresso social-democrata, «o que significa que é uma intenção não séria».



«Não está em causa o conteúdo, aí não há nada a recear, mas do ponto de vista da oportunidade, acho que não há dúvida que há uma intenção oportunista para queimar mediaticamente este Congresso», declarou.

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Questionado sobre o facto de o atual vice-primeiro-ministro e antigo ministro da Defesa Paulo Portas ser visado por esta eventual comissão parlamentar de inquérito, Aguiar-Branco limitou-se a reiterar que a intenção dos socialistas não é séria.



«Só agora no dia do Congresso do PSD, depois de termos resolvido também o problema dos estaleiros de Viana do Castelo, é que ocorre falar dessa comissão», afirmou.



Ainda sobre a intenção do PS de que se crie uma comissão parlamentar de inquérito ao processo dos submarinos, o deputado Carlos Abreu Amorim ressalvou ter de «esperar para ver o requerimento e o objeto dessa comissão», mas relacionou a iniciativa ao «momento difícil» que considera os socialistas estão a atravessar, nomeadamente a «liderança».



«Há uma coisa fundamental: não podemos utilizar as comissões de inquérito como, meramente, uma arma de arremesso entre os diversos partidos. Têm uma função nobre, é uma forma de o poder legislativo poder coadjuvar o poder judicial para apurar as responsabilidades e as verdades políticas», disse.



«O PS é mais digno do que isto, é um partido extremamente importante na democracia portuguesa», afirmou.